Mercado internacional de açúcar reage às projeções da OIA e à valorização do petróleo, elevando preços em Nova Iorque e Londres

O açúcar sobe em Nova Iorque e Londres diante do déficit global previsto para 2026/27 e da elevação da demanda por etanol em meio à alta do petróleo.
O açúcar sobe nas principais bolsas internacionais, com destaque para Nova Iorque e Londres, acompanhando as projeções da Organização Internacional do Açúcar (OIA) que apontam para um déficit global na safra 2026/27. A valorização do mercado também é sustentada pelo aumento da demanda por etanol, em um cenário de alta dos preços do petróleo.
Projeções da OIA indicam retração na produção global de açúcar
Segundo o relatório mais recente da OIA, a produção mundial de açúcar deve recuar para cerca de 180 milhões de toneladas na safra 2026/27, o que representa uma redução de 1,1% em comparação à temporada anterior. Essa diminuição coloca o mercado em perspectiva de déficit global estimado em aproximadamente 262 mil toneladas. A entidade destaca a possibilidade de que o fenômeno El Niño afete negativamente a produção em importantes países produtores, como Índia e Tailândia.
Impacto do fenômeno El Niño para principais produtores de açúcar
O possível fortalecimento do El Niño preocupa o mercado, pois pode resultar em condições climáticas adversas que prejudicam a safra em regiões-chave da Índia e da Tailândia. Essas incertezas climáticas contribuem para a percepção de escassez futura, influenciando as negociações e o aumento dos preços do açúcar nas bolsas internacionais.
Alta nas bolsas de Nova Iorque e Londres refletindo expectativas de mercado
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de julho para o açúcar fechou cotado a 15,01 cents por libra-peso, registrando alta de 28 pontos. Já em Londres, o contrato de agosto do açúcar branco valorizou-se em 450 pontos, chegando a US$ 441,60 por tonelada. Esses movimentos refletem a antecipação dos agentes do mercado diante do cenário de oferta restrita e maior demanda por derivados da cana.
Crescimento da demanda por etanol reforça suporte ao mercado de açúcar
A valorização do petróleo tem impulsionado o setor de biocombustíveis, principalmente o etanol, cuja produção global está projetada para aumentar de 123,1 bilhões para 129,4 bilhões de litros em 2026, conforme estimativas da OIA. Este crescimento é atribuído à recuperação da produção no Brasil e à expansão do uso de etanol na Índia. Programas de mistura do combustível renovável à gasolina vêm sendo ampliados em vários países, com o Brasil debatendo a ampliação para E32, a Índia considerando E25, e a União Europeia avaliando E20.
Implicações para a cana-de-açúcar e oferta internacional de açúcar
O aumento da destinação da cana-de-açúcar para a produção de etanol reduz a oferta desse insumo para fabricação de açúcar, pressionando o mercado internacional. Essa dinâmica reforça a expectativa de que o déficit anunciado pela OIA possa se materializar, mantendo os preços em patamares elevados e sustentando as cotações nas bolsas de commodities.
O cenário atual evidencia como fatores climáticos, projeções de safra e políticas energéticas convergem para influenciar o mercado global de açúcar, desenhando um panorama de preços mais firmes e maior volatilidade nos próximos meses.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br







