Acusações, bate-boca e investigação: entenda a confusão na Câmara de PG

A Câmara Municipal de Ponta Grossa foi palco de uma sequência de discussões entre vereadores nas últimas semanas. O episódio mais recente ocorreu na segunda-feira (21), quando o vereador Geraldo Stocco (PV) deixou o plenário após um confronto com o presidente da Casa, Dr. Erick (PV), durante a votação de uma representação contra Ricardo Zampieri (PL).

O caso, porém, começou semanas antes e envolve também o vereador Guilherme Mazer (PT).

Como começou a confusão

Na sessão de 24 de agosto, Mazer e Zampieri protagonizaram um bate-boca no plenário. Durante a discussão, Zampieri fez referências a uma possível nova operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Câmara e afirmou que “muitos” vereadores poderiam cair caso uma nova ação fosse realizada.

O vereador também mencionou supostos “malotes” que estariam circulando no Legislativo e afirmou que haveria situações que seriam de conhecimento de integrantes da Casa.

As declarações não vieram acompanhadas, naquele momento, de nomes ou documentos que comprovassem as supostas irregularidades. Também não há, nas informações públicas consultadas para esta reportagem, confirmação de uma nova operação do Gaeco relacionada às acusações feitas por Zampieri.

Mazer cobra provas

Após as declarações, Guilherme Mazer apresentou, em 31 de agosto, uma representação contra Zampieri.

O documento, registrado sob o Processo Digital nº 5081/2026, solicitava que o vereador apresentasse, em até 48 horas, documentos capazes de sustentar as afirmações feitas durante a sessão.

Mazer também pediu que, caso as provas não fossem apresentadas, o caso fosse encaminhado à Corregedoria Interna da Câmara.

A representação acabou chegando ao plenário para decisão dos vereadores.

Câmara encaminha caso à Corregedoria

Na segunda-feira (21), os vereadores aprovaram o encaminhamento da representação para a Corregedoria Interna da Câmara.

Foram nove votos favoráveis e um contrário. Mazer e Zampieri não participaram da votação.

A medida não representa, por si só, uma condenação de Zampieri. O encaminhamento abre espaço para que a Corregedoria analise o caso e as declarações feitas pelo parlamentar.

Zampieri afirmou que considera a medida uma “retaliação política” e declarou que não apresentaria os documentos à Câmara, dizendo que pretende encaminhar as informações diretamente ao Ministério Público.

Stocco entra na discussão

Foi durante essa votação que surgiu um novo confronto.

Geraldo Stocco questionou a condução da sessão e pediu uma questão de ordem. O vereador defendia que os demais parlamentares tivessem oportunidade de se manifestar e discutir o assunto antes da votação.

A Presidência adotou outra interpretação do Regimento Interno e limitou as manifestações naquele momento.

Stocco voltou a questionar a decisão e afirmou que os vereadores estavam sendo impedidos de debater uma questão que considerava importante.

Em determinado momento, o microfone do vereador foi cortado. Stocco então pediu autorização para deixar o plenário e, diante da continuidade do impasse, saiu da sessão.

Presidente e Stocco apresentam versões diferentes

Após o episódio, Dr. Erick criticou a postura do vereador e classificou a atitude como um “chilique”.

Stocco, por outro lado, afirmou que deixou a sessão porque discordou da interpretação do Regimento feita pela Presidência. Segundo ele, em situações anteriores, vereadores que não estavam diretamente envolvidos tiveram oportunidade de se manifestar antes de votações semelhantes.

O vereador classificou a condução adotada naquele momento como inadequada e afirmou que um Legislativo em que parlamentares não podem falar representa um problema para o debate parlamentar.

Uma sequência de conflitos

O episódio de segunda-feira é, portanto, o resultado mais recente de uma sequência de embates que começou com o confronto entre Mazer e Zampieri em agosto.

De um lado, Zampieri passou a ser alvo de uma representação após fazer acusações sobre supostas irregularidades e mencionar “malotes” na Câmara. O caso agora será analisado pela Corregedoria.

De outro, a própria condução da votação provocou um novo conflito, desta vez envolvendo Stocco e o presidente Dr. Erick.

Até o momento, os episódios envolvem acusações, representações e divergências sobre a condução dos trabalhos legislativos, e não uma conclusão definitiva sobre as supostas irregularidades mencionadas por Zampieri.

A Corregedoria deverá analisar a representação e os próximos passos do procedimento.