Setor responde por 25% do PIB, mas inadimplência no agro atingiu 8,8% no primeiro trimestre, maior patamar da série histórica

O agronegócio, que representa 25% do PIB brasileiro, enfrenta desafios com juros em 13,75% e inadimplência recorde de 8,8% no primeiro trimestre de 2026.
O agronegócio, responsável por cerca de 25% do Produto Interno Bruto do país, atravessa desafios significativos com juros altos e endividamento elevado. Segundo a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o setor enfrenta uma “tempestade perfeita” ao lidar simultaneamente com custos elevados de produção, entraves logísticos, protecionismo internacional e mudanças climáticas.
As exportações do setor somaram US$ 133,6 bilhões nos nove primeiros meses de 2026, aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados da associação. Apesar do desempenho positivo nas exportações, a inadimplência no agro atingiu 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior patamar da série histórica, de acordo com a Serasa Experian.
O endividamento elevado do setor resulta da alta alavancagem durante o boom agrícola entre 2020 e 2022, quando a taxa básica de juros chegou a 2% antes de escalar rapidamente até os atuais 13,75%, explica Alexandre Mendonça de Barros, sócio de agronegócio da EY. Barros aponta que o maior problema do agro passa pela conjuntura econômica e pelo elevado nível de endividamento do setor.
“Se tiver ajuste fiscal, dá para sonhar que a taxa de juro caia e facilite o alongamento ou absorção dessa dívida”, avalia Barros. Ele reforça que qualquer governo precisaria implementar medidas de ajuste fiscal para desacelerar os juros e tornar mais sustentável a renegociação da dívida do setor.
A Abag defende a transformação da agenda do agronegócio em política de Estado. “O Brasil precisa deixar de pensar apenas na produção agropecuária e avançar na integração entre campo, indústria, serviços, ciência, tecnologia e mercados”, afirma a entidade. A associação destaca que o principal desafio é transformar essa agenda em política contínua com planejamento, metas e continuidade, evitando um conjunto de medidas pontuais de cada governo.







