Pressão dos preços internacionais do enxofre impacta a competitividade do fertilizante fosfatado amplamente usado na agricultura brasileira

A alta do enxofre eleva custos do superfosfato simples, pressionando a competitividade do fertilizante no Brasil e exigindo alternativas na agricultura.
Alta do enxofre pressiona uso do superfosfato simples na agricultura brasileira
A alta do enxofre no mercado internacional em 2025, chegando a US$ 1.000 por tonelada, eleva os custos do Superfosfato Simples (SSP), fertilizante fosfatado muito adotado no Brasil. Segundo o consultor Antonio Prado G. B. Neto, essa valorização transforma a equação econômica do SSP, colocada sob forte pressão pela valorização do insumo.
O SSP ganhou destaque por reunir fósforo solúvel, cálcio e enxofre em uma fórmula de baixo custo por hectare que se adaptava bem aos sistemas agrícolas extensivos brasileiros. No entanto, a subida abrupta do preço do enxofre, componente essencial na fabricação do fertilizante — cerca de 300 a 350 quilos por tonelada produzida —, fez com que somente esse insumo passe a representar entre US$ 300 e US$ 350 por tonelada do SSP.
Impactos industriais e riscos para a produção nacional de fertilizantes
Com o aumento expressivo do custo do enxofre, a viabilidade econômica da produção industrial do SSP fica comprometida. Empresas do setor, como a Mosaic, indicam possibilidade de redução ou até paralisação das plantas produtivas, o que pode levar a uma oferta mais limitada no mercado nacional. Essa situação não é inédita, remetendo ao choque de preços ocorrido em 2008, quando a volatilidade do enxofre gerou prejuízos significativos para a indústria fertilizante.
No ciclo atual, o preço do enxofre ultrapassou os níveis verificados nos últimos anos, saindo de faixas entre US$ 100 e US$ 180 (2023-2024) para até US$ 1.000 em 2025. Essa instabilidade reforça a necessidade de estratégias para reduzir riscos associados à volatilidade dos insumos.
Histórico da cotação do enxofre e seus reflexos no agronegócio brasileiro
Entre 2000 e 2007, o preço do enxofre oscilava entre US$ 20 e US$ 50 por tonelada, numa situação de equilíbrio para o setor. O salto para US$ 600 a US$ 800 em 2008 marcou uma fase de alta volatilidade, seguida por uma relativa estabilidade entre 2009 e 2019, com preços entre US$ 50 e US$ 150. O ciclo influenciado pela pandemia, rupturas logísticas e conflitos geopolíticos impulsionou o insumo para valores próximos a US$ 400 entre 2020 e 2022.
Esse histórico demonstra como os altos custos do enxofre podem impactar diretamente a cadeia produtiva dos fertilizantes fosfatados e, consequentemente, a agricultura brasileira, que depende do SSP para garantir produtividade e correção nutricional do solo.
Tendências para o uso de fertilizantes fosfatados diante da alta do enxofre
Diante desse cenário, agrônomos e produtores agrícolas têm buscado fontes mais concentradas e alternativas ao SSP, como o MAP (fosfato monoamônico), fosfatos reativos e naturais. Além disso, o manejo agrícola deve priorizar maior eficiência agronômica, com solos corretamente corrigidos e aumento do uso de calcário para melhorar a disponibilidade de nutrientes.
Embora o SSP não desapareça do mercado, a lógica histórica que o tornou uma opção econômica e prática perde força frente à nova conjuntura dos preços, o que coloca desafios para a continuidade do seu uso predominante no Brasil.
Estratégias para mitigar os impactos da alta do enxofre na produção agrícola
Para enfrentar a pressão dos custos, é fundamental que o setor agrícola invista em práticas que otimizem o uso dos fertilizantes, reduzam perdas e aumentem a eficiência do manejo do solo. Tecnologias de precisão, análise detalhada da fertilidade do solo e planejamento de adubações são ferramentas essenciais para adaptar a produção à nova realidade do mercado de insumos.
A diversificação das fontes de fósforo e a busca por alternativas mais estáveis economicamente também devem ser prioridades para minimizar os efeitos das flutuações dos preços do enxofre e garantir a sustentabilidade econômica do agronegócio brasileiro.
Fonte: www.agrolink.com.br






