Alta dos Treasuries pressiona múltiplos de empresas de tecnologia nos EUA

Rendimento de títulos públicos americanos atingiu 5,364% em dez anos, nível não visto há mais de duas décadas

Alta dos Treasuries pressiona múltiplos de empresas de tecnologia nos EUA
Empresas de tecnologia costumam negociar a preços mais altos em relação aos seus lucros. Foto: Ilustração gerada por IA

Juros dos títulos públicos americanos atingem maiores níveis desde 2002, reduzindo o valor atribuído a lucros futuros de empresas de tecnologia

Os rendimentos dos títulos públicos americanos voltaram a atingir níveis que não eram vistos há mais de duas décadas. Na quarta-feira (7), o Treasury de dez anos chegou a 5,364%, enquanto o título de 30 anos alcançou 5,669%, conforme dados de mercado.

São os maiores níveis desde 2002. A disparada dos juros longos pressiona o valor de mercado de empresas americanas, com investidores menos dispostos a pagar por promessas de crescimento futuro.

Apesar de as ações continuarem subindo e o S&P 500 estar muito próximo da máxima histórica, os múltiplos estão mais achatados do que no começo de 2026, segundo a FactSet. O múltiplo projetado do S&P 500 para os próximos 12 meses caiu de 20,4 vezes no fim de junho para 19 vezes no começo de outubro.

A queda aconteceu mesmo com o índice acumulando alta de cerca de 2% no período e a estimativa de lucro para os próximos 12 meses aumentando 9,3%. As projeções para os balanços avançaram muito mais do que o preço das ações.

Empresas de tecnologia costumam negociar a preços mais altos em relação aos seus lucros porque investidores esperam um forte crescimento dos resultados nos próximos anos. Quanto maiores os juros, no entanto, menor tende a ser o valor atribuído hoje a esses lucros futuros.

A mudança é mais evidente entre empresas de tecnologia. A FactSet calcula que a expectativa de lucro do setor aumentou 5,1% desde o fim de junho, para quase US$ 260 bilhões. No período, 82% das empresas de tecnologia do S&P 500 tiveram aumento nas estimativas de lucro.

Para o terceiro trimestre, a projeção ainda é de crescimento de 65% nos lucros do setor, puxado principalmente pelas fabricantes de semicondutores. É esse crescimento que, até agora, vem compensando o efeito negativo dos juros.

Um título do governo americano pagando mais de 5% aumenta o retorno exigido pelos investidores para assumir risco em ações. Com isso, diminui o espaço para que as empresas de tecnologia continuem subindo apenas porque o mercado aceita pagar múltiplos maiores.

De acordo com a ata mais recente do Federal Reserve, a própria corrida pela inteligência artificial aparece como uma das forças que ajudam a manter pressionados os juros de longo prazo. O documento cita grandes emissões de dívida como fator adicional na pressão sobre os rendimentos.