Ministro critica comissão elevada dos apps e destaca projeto para equilibrar relação com motoristas

Ministro Guilherme Boulos acusa aplicativos de transporte de cobrarem "taxa de agiotagem" dos motoristas parceiros e defende projeto para equilibrar a remuneração.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, chamou de “taxa de agiotagem” o percentual cobrado pelos aplicativos de transporte sobre os ganhos dos motoristas parceiros. Em entrevista à CNN Brasil no dia 19, Boulos criticou a comissão elevada dessas plataformas, que pode chegar a 40% ou 50%, apesar de não assumirem riscos ou realizarem investimentos diretos.
Críticas à comissão praticada pelos aplicativos
Boulos comparou a comissão dos apps a outras profissões, destacando que vendedores de veículos recebem cerca de 5% de comissão e advogados, entre 10% e 20% de honorários. Já os aplicativos, segundo ele, cobram valores muito superiores sem oferecer contrapartidas proporcionais, configurando uma exploração do trabalho dos motoristas.
“Isso não é taxa de retenção. Isso é taxa de agiotagem, de exploração”, afirmou o ministro. Ele também mencionou os serviços de entrega por moto, onde empresas como iFood pagam cerca de R$ 7,50 por viagem, mas retêm 25% sobre cada pedido realizado.
Projeto de lei para regulamentar o trabalho por aplicativos
O governo federal apoia um projeto de lei apresentado pelo deputado Augusto Coutinho, que está pronto para análise em comissão especial no Congresso. O texto visa equilibrar a relação entre empresas e trabalhadores de plataformas digitais, como motoristas e entregadores.
O presidente da Câmara, deputado Hugo Motta, afirmou que a pauta é prioritária, embora tenha evitado comprometer-se com prazos para a votação devido a ressalvas das próprias empresas de aplicativos.
Impacto no mercado de trabalho e posicionamento político
De acordo com o IBGE, 2,1 milhões de brasileiros trabalham atualmente por meio de plataformas digitais, incluindo Uber, 99 e iFood. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou preocupação com a perda de identificação desses trabalhadores com pautas da esquerda, apontando uma aproximação com agendas defendidas pelo bolsonarismo.
O debate sobre a regulamentação destes serviços é central para garantir direitos, melhorias salariais e condições de trabalho para essa parcela significativa da força de trabalho brasileira. O projeto busca estabelecer regras claras para as comissões cobradas e a responsabilidade das plataformas, promovendo maior justiça econômica para os profissionais envolvidos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br





