Interlocutores do presidente avaliam que medida de Moraes foi precipitada e oferece argumento à oposição sobre perseguição

Aliados do presidente Lula criticam decisão do ministro Alexandre de Moraes de apreender passaportes do senador Flávio Bolsonaro
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no domingo (25), após a confirmação da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais. A decisão é alvo de críticas entre interlocutores do presidente.
A avaliação de aliados de Lula é que a medida foi precipitada e oferece à oposição argumentos para sustentar o discurso de perseguição à família Bolsonaro. Segundo a percepção entre petistas, a apreensão dos passaportes era desnecessária após Lula conquistar uma virada histórica nas urnas, revertendo a desvantagem que tinha no primeiro turno.
Lula venceu o segundo turno com 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença foi de 4.430.191 votos. O presidente conquistou mais de 10 milhões de votos adicionais entre o primeiro e o segundo turno da disputa.
A Polícia Federal solicitou a apreensão apontando risco de fuga. A corporação citou como argumento a saída do Brasil do advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito que Flávio. Outro motivo foi uma declaração do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, feita em 23 de outubro.
“Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que ele deixe o país com certeza”, afirmou Eduardo Bolsonaro em entrevista ao podcast americano “CrowderBits”.
Aliados do presidente afirmam que a apreensão dos passaportes alimenta a narrativa de que as eleições não foram transparentes e oferece argumentos a setores do governo dos Estados Unidos para lançar dúvidas sobre a vitória de Lula. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer nesta terça-feira (27), durante um comício no Texas, que as eleições no Brasil foram fraudadas, sem apresentar provas.
“Eles fraudam muito bem. São os maiores fraudadores de eleições da história. Embora o Brasil também esteja fazendo um bom trabalho nisso, não é? Eu não tomei partido, não gostei, não me pareceu muito bom”, disse Trump.
Na avaliação de pessoas próximas a Lula, a decisão de Moraes cria um desgaste desnecessário após uma campanha marcada por dificuldades internas e pelo esforço para reverter a vantagem de Flávio no primeiro turno, realizado em 4 de outubro.







