Fatores culturais e de acesso à saúde elevam índices de fumantes.
Pesquisas revelam que tabagismo é mais elevado entre comunidades tradicionais na Amazônia Legal, impulsionado por fatores culturais e falta de acesso à saúde.
O aumento do tabagismo na Amazônia Legal em 2025 é alarmante, com 12% das comunidades tradicionais se declarando fumantes, em contraste com apenas 6% entre a população geral da região. Esse dado é parte da pesquisa Mais Dados, Mais Saúde, realizada por Vital Strategies e Umane, que destaca a influência de fatores culturais e a falta de acesso à informação sobre saúde.
Fatores que contribuem para o aumento do tabagismo
As comunidades tradicionais, que incluem indígenas, quilombolas e ribeirinhos, enfrentam dificuldades significativas em acessar serviços de saúde. A pesquisa, que entrevistou 4.037 pessoas em estados como Acre, Amazonas e Pará, indica que a ausência de campanhas educativas e a distância dos centros de saúde são entraves críticos na luta contra o tabagismo.
Segundo Luciana Vasconcelos, diretora-adjunta de Doenças Crônicas da Vital Strategies, “a falta de informação em saúde é o principal entrave para a redução do tabagismo entre essas populações”. Ela aponta que a não frequência ao sistema de saúde impede o conhecimento sobre os riscos associados ao consumo de tabaco.
Impacto cultural sobre o consumo
Além do acesso limitado à saúde, fatores culturais desempenham um papel importante. O tabaco é frequentemente utilizado em rituais e está associado a tradicões locais. Gabriel Cortês, especialista técnico da Vital Strategies, observa que o tabaco é comumente visto em atividades laborais, reforçando a normalização do consumo.
Os dados também revelam que a prevalência do tabagismo é mais alta entre os homens (12,8%) do que entre as mulheres (4,6%), refletindo padrões de comportamento e cultura de gênero na região.
Outros índices preocupantes
Além do tabagismo, a pesquisa também mostrou que 12,3% da população da Amazônia Legal consome álcool regularmente, um número que supera a média nacional de 3%. Essa realidade evidencia que os problemas de saúde relacionados ao consumo de substâncias são recorrentes nas comunidades tradicionais.
Historicamente, o tabagismo e o consumo de álcool têm sido discutidos em conferências e estudos, mas a situação em 2025 indica que ainda há um longo caminho a percorrer para enfrentar esses desafios de saúde pública. O projeto Saúde Pública, apoiado pela Umane, visa auxiliar na promoção da saúde nas comunidades afetadas, mas a necessidade de um acesso melhorado aos serviços de saúde é fundamental para a mudança.
A complexidade do tabagismo na Amazônia Legal reflete não apenas um problema de saúde, mas também um desafio social e cultural que requer atenção e ação coordenada.





