Banco central poupou Cartos mesmo investigada pela Polícia Federal

Empresa investigada no caso Banco Master segue operando sem liquidação extrajudicial pelo Banco Central

Banco Central poupou Cartos, empresa investigada pela Polícia Federal no caso Banco Master, que segue operando sem liquidação.

Banco Central poupou Cartos apesar da investigação da Polícia Federal

O Banco Central poupou Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A., mesmo diante de sua investigação pela Polícia Federal no caso do Banco Master. A reunião realizada em 27 de junho de 2025, que contou com a presença de diretores e sócios da Cartos, evidenciou a emissão fictícia de títulos de crédito que sustentaram o esquema fraudulento. Enquanto o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente em 18 de novembro de 2025, a Cartos segue operando normalmente no mercado, gerando questionamentos acerca das ações regulatórias do Banco Central.

A origem e o papel da Cartos na cadeia de fraudes financeiras

A Cartos, sediada na Faria Lima, está no centro da produção de créditos podres relacionados ao Banco Master. A empresa, classificada como uma Sociedade de Crédito Direto (SCD) do segmento S5 – o menor na escala do Banco Central -, operava com créditos fictícios que foram vendidos simultaneamente para múltiplos fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs): Noto, Sueste e VCK. Esse mecanismo resultou numa duplicidade de ativos, o que caracteriza uma grave fraude no sistema financeiro nacional.

Declarações e depoimentos que apontam as irregularidades

Em depoimento à Polícia Federal, Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, relatou que André Felipe de Oliveira Seixas Maia, ex-funcionário do Banco Master e diretor da Cartos, admitiu a geração fictícia de valores superiores a R$ 6 bilhões, o que é tecnicamente impossível para uma empresa do porte da Cartos. Aquino também destacou que alguns diretores da Cartos desconheciam a existência da Tirreno Consultoria, empresa usada como fachada para as operações fraudulentas, reforçando a complexidade e a articulação da rede de ilícitos.

Estrutura societária, vínculos e operações financeiras suspeitas

A Cartos atualmente conta com três sócios, incluindo o presidente Fabio Antonio da Costa. O ex-presidente e fundador Henrique Peretto e André Seixas Maia não fazem mais parte da empresa conforme registros recentes. A Tirreno, utilizada para originar créditos inexistentes, não é uma instituição regulada pelo Banco Central e tem características de empresa de fachada. O Banco Central não identificou movimentações financeiras via Pix, TED ou câmbio que confirmassem a existência dos créditos falsos, sinalizando uma estratégia para ocultar as operações ilegais.

Impactos e questionamentos sobre a fiscalização do Banco Central

A permanência da Cartos no mercado financeiro, mesmo após a comprovação das fraudes, evidencia uma falha na atuação do Banco Central, que aplicou a liquidação extrajudicial ao Banco Master, mas poupou a empresa que forneceu a infraestrutura operacional para a emissão dos títulos podres. Este cenário levanta preocupações sobre o rigor e a efetividade da supervisão regulatória, principalmente diante da complexidade e do volume das operações fraudulentas identificadas. A investigação continua acompanhada pelas autoridades e pode gerar desdobramentos relevantes para a segurança do sistema financeiro nacional.