Banco Central revisa IBC-Br para agosto e aponta desaceleração no terceiro trimestre

Índice cresceu 0,3% em agosto, mas recuou 0,6% no trimestre, reflexo da Selic em 13,75%

Banco Central revisa IBC-Br para agosto e aponta desaceleração no terceiro trimestre
Indicador mede desempenho da economia mensalmente. Foto: Banco Central — Foto: Fonte: Banco Central

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central cresceu 0,3% em agosto, acima das expectativas de 0,2%, mas dados trimestrais indicam perda de força.

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,3% em agosto, resultado ligeiramente acima das expectativas do mercado de 0,2%, puxado principalmente pelo setor industrial e, em menor proporção, pelo setor de serviços. Apesar do ganho mensal, o desempenho trimestral revelou desaceleração da atividade econômica, com recuo de 0,6%, reflexo da política monetária restritiva que mantém a Selic em 13,75%.

O IBC-Br mede o desempenho da economia mensalmente e é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado a cada três meses.

Apesar da alta em agosto, os recuos registrados em junho (-0,6%) e julho (-0,2%) mantêm o desempenho do período em trajetória de desaceleração. Segundo o relatório de Alberto Ramos, chefe da equipe de Pesquisa Econômica para a América Latina do Goldman Sachs, “os aumentos registrados no mês não foram suficientes para compensar as quedas acentuadas”.

A projeção do Goldman Sachs aponta um efeito de carregamento de -0,5% para o terceiro trimestre, comparado ao trimestre anterior. O carregamento negativo de 0,5% também é projetado pela XP, que avalia que o dado melhorou em relação ao mês anterior, quando a projeção era de -0,7%. De acordo com Alexandre Maluf, economista da XP, a projeção é que o IBC-Br de setembro venha com recuo de -0,1%.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o indicador tem expansão de 0,9%, excluindo a atividade agropecuária. Em 12 meses, o crescimento é de 1,6%, patamar inferior ao observado nos meses anteriores, segundo Leonardo Costa, economista do ASA.

Observando o desempenho dos setores em agosto, a indústria registrou alta de 0,9%. O setor de serviços apresentou avanço de 0,2%. O indicador de impostos teve elevação de 0,1%. A agropecuária registrou queda de 1,8%.

O resultado mensal encontrou sustentação em segmentos voltados à economia interna. De acordo com Matheus Pizzani, economista do PicPay, a expansão se concentrou em áreas ligadas ao nível de renda das famílias, favorecidas pela menor variação de preços em itens essenciais, como os alimentos.

Para Antônio Ricciardi, economista do banco Daycoval, a desaceleração já era esperada. “Os primeiros sinais já haviam aparecido no final do segundo trimestre, e agora os dados do terceiro trimestre confirmam a continuidade desse movimento de enfraquecimento.”