Investimentos na Margem Equatorial e Bacia de Pelotas são essenciais para ampliar a produção nacional e estender a autossuficiência

Brasil tem potencial para ampliar reservas de petróleo para 23,5 bilhões de barris até 2035 com investimentos de US$ 30,6 bilhões anuais.
Brasil pode ampliar reservas de petróleo para 23,5 bilhões de barris até 2035
O Brasil tem potencial para ampliar significativamente suas reservas de petróleo, passando dos atuais 17 bilhões para 23,5 bilhões de barris na próxima década. Essa perspectiva é embasada no Caderno Abespetro 2026, apresentado no Rio de Janeiro, que destaca a importância da ampliação da recuperação de reservatórios e o investimento em novas fronteiras exploratórias como a Margem Equatorial, entre os estados do Amapá e Rio Grande do Norte, e a Bacia de Pelotas, no Rio Grande do Sul. Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, ressalta que esse avanço poderá estender o horizonte de autossuficiência do país até 2042, se as reservas adicionais forem convertidas em reservas provadas.
Desafios da exploração em novas fronteiras e impacto na produção futura
Apesar do potencial, o Brasil enfrenta desafios importantes em sua política de exploração. Entre 2018 e 2024, não houve perfuração de poços em áreas consideradas novas fronteiras, o que contrasta com outros países como Noruega, Guiana e Suriname, que avançaram em seus projetos exploratórios. O longo prazo entre a perfuração e o início da produção, que pode chegar a dez anos, exige agilidade regulatória para evitar atraso no desenvolvimento. Ghiorzi alerta que a demora nas autorizações ambientais, como ocorreu na Bacia da Foz do Amazonas, pode levar o Brasil a voltar a ser importador de petróleo em uma década.
Necessidade de investimento e diversificação das operadoras no setor petrolífero brasileiro
Para alcançar a ampliação das reservas, a Abespetro estima a necessidade de investimentos da ordem de US$ 30,6 bilhões anuais. Além disso, o cenário atual apresenta alta concentração da Petrobras, responsável por mais de 90% da produção offshore, diferentemente de outras regiões que contam com maior presença de empresas privadas e multinacionais. Ghiorzi defende incentivos para que empresas independentes aumentem a produção em campos maduros e a reformulação da política de conteúdo local, para evitar penalizações que inibem investimentos. Ajustes tributários sobre a exportação de petróleo também são apontados como fundamentais para estimular o setor.
Impacto econômico e geração de empregos no setor de óleo e gás
O setor petrolífero é responsável por aproximadamente 11% do PIB brasileiro e gera cerca de 700 mil empregos diretos e indiretos, número que voltou a níveis registrados em 2010, antes do impacto da Operação Lava Jato e da queda dos preços do petróleo. O aquecimento recente indica recuperação das atividades, porém a continuidade depende da manutenção de ciclos regulares de leilões e estímulos ao investimento privado. A volatilidade dos preços do petróleo, acentuada por tensões internacionais como o conflito envolvendo o Irã, exige cautela das companhias para planejamento de longo prazo.
Perspectivas para o futuro e importância da agenda regulatória
Para garantir a ampliação das reservas de petróleo, o Brasil precisa acelerar a exploração e adaptação regulatória. A redução dos prazos para licenciamento ambiental e a flexibilização da participação privada são pontos críticos para não comprometer a autossuficiência energética. A Abespetro destaca que as políticas atuais devem ser revistas para evitar que o país retorne à condição de importador em uma década. O equilíbrio entre investimentos, inovação tecnológica e agenda legislativa será determinante para a consolidação do Brasil como protagonista no mercado mundial de óleo e gás.







