Embrapa lança cultivar que dobra a produtividade e é resistente a doenças.
A nova cultivar BRS 805, lançada pela Embrapa, promete dobrar a produtividade do caju e apresenta resistência a doenças.
Uma revolução na cajucultura brasileira
A nova cultivar BRS 805, desenvolvida pela Embrapa Agroindústria Tropical, é uma aposta promissora para o fortalecimento da cajucultura no Ceará, estado que lidera a produção nacional de castanha de caju. Lançada em dezembro de 2025, esta cultivar foi projetada para aumentar a produtividade e resistir a doenças, oferecendo uma alternativa viável para os produtores.
O que é a cultivar BRS 805?
A BRS 805 emerge como uma solução inovadora em resposta aos desafios enfrentados pelos cajueiros. Esta cultivar, que apresenta um desempenho notável em regiões litorâneas do Ceará, foi desenvolvida com o objetivo de dobrar a produtividade das castanhas e aumentar a variabilidade genética nos pomares. De acordo com Dheyne Melo, pesquisador da Embrapa, a cultivar foi selecionada após extensos estudos que datam desde os anos 90, culminando em resultados que evidenciam sua eficácia.
Desempenho e características
Os números são impressionantes: a cultivar BRS 805 alcançou uma média de 1.800 quilos de castanhas por hectare, resultado que é o dobro da média da cultivar CCP 76, que até então dominava a área. Além disso, o BRS 805 apresenta uma resistência superior a doenças como mofo-preto, antracnose e septoria, o que significa menos aplicações de fungicidas e, consequentemente, menores custos de produção para os agricultores.
Benefícios para os produtores
Outro destaque da cultivar é o seu pedúnculo, que é visualmente atraente e possui um teor de vitamina C significativamente superior ao da laranja. Essa característica não apenas melhora a qualidade do produto, mas também amplia as oportunidades de mercado para os produtores, especialmente aqueles focados em processamento industrial. Luiz Serrano, pesquisador da Embrapa, sugere que um espaçamento maior no cultivo é benéfico, devido ao porte intermediário das plantas, que podem alcançar até 4 metros de altura e 7 metros de envergadura.
A comercialização da BRS 805
A comercialização do BRS 805 começará com a licitação de propágulos, prevista para janeiro de 2026. O público-alvo são viveiristas com registro ativo no Renasem, o que assegura a qualidade e a rastreabilidade das mudas. Essa estratégia visa não apenas a renovação dos pomares, mas também a diversificação das cultivares, ajudando os produtores a se protegerem contra possíveis pragas e doenças futuras.
A cajucultura em transformação
José Roberto Vieira, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa, observa que a cajucultura brasileira está em um momento decisivo. Os produtores têm a opção de continuar com práticas tradicionais, que oferecem baixa produtividade, ou adotar inovações como a BRS 805, que promete um modelo mais tecnificado e sustentável. O Brasil, que já alcançou 161.014 toneladas de produção em 2024, está se posicionando para um futuro promissor, com o Ceará liderando essas mudanças.
Com a introdução da BRS 805, a Embrapa não só contribui para o aumento da produtividade, mas também para a sustentabilidade da agricultura no Nordeste, oferecendo uma alternativa viável em tempos de mudanças climáticas e desafios fitossanitários. Essa cultivar representa não apenas uma inovação, mas uma esperança renovada para os produtores de caju no Brasil.





