Chef Carlos Alata revela receita do Tiradito Mediterrâneo, prato do Nuu Nikkei que cruza México, Peru e Itália

Criação combina camarão rosa em lâminas finas, leite de tigre cítrico, salsão crocante, milho baby e prosciutto di Parma Brasil, setembro de 2026 – A cozinha nikkei nasceu do encontro entre Peru e Japão, quando imigrantes japoneses reinterpretaram os ingredientes peruanos com técnica e precisão orientais. É essa tradição de cruzar fronteiras que o chef peruano Carlos Alata leva adiante no Nuu Nikkei, em Curitiba, e que aparece de forma exemplar no Tiradito Mediterrâneo, um dos novos pratos da casa. A criação parte do aguachile mexicano, preparo tradicional de camarão cru banhado em cítricos, passa pela técnica peruana do tiradito, o pescado servido em lâminas finas, herança direta do sashimi, e desembarca no Mediterrâneo, que batiza o prato, com o prosciutto di Parma. Para o preparo, Carlos utiliza camarão rosa fresco, aberto e delicadamente batido até atingir a espessura de uma lâmina translúcida — o gesto do tiradito aplicado a um crustáceo, e não ao peixe habitual. Servido cru, o camarão recebe sal, pimenta-do-reino moída e gotas de limão-caipira e limão-taiti. A acidez inicia uma leve cocção do pescado sem comprometer o frescor e a delicadeza do ingrediente. O prato ganha ainda um leite de tigre cítrico feito com limão-caipira, limão-taiti e toranja, complementado por manjericão e salsão — que retorna na finalização em lâminas bem finas. Para garantir a crocância, a dica do chef é mergulhar o salsão em água com gelo antes de servir. O contraste de texturas se completa com o milho baby inteiro em conserva e as fatias de prosciutto di Parma, num embate salino que responde à acidez dos cítricos. “É uma mistura de camarão com prosciutto italiano”, resume Carlos Alata sobre o encontro improvável que define o prato — hoje entre os itens de crescimento mais consistente do cardápio do Nuu Nikkei. Receita do Tiradito Mediterrâneo Ingredientes Modo de preparo Dica do chef: o frescor do camarão é fundamental para o resultado do prato. Para o salsão, o corte fino e o choque em água com gelo ajudam a manter a textura crocante.

Chef Celso Freire defende o tempo como ingrediente essencial da cozinha: “Você vai se acalmar”

Em entrevista a Vinicius França, no podcast Me Passa a Receita, um dos nomes que ajudaram a construir a gastronomia de Curitiba fala sobre carreira, formação de cozinheiros e ensina quirera cremosa com porpetines de porco Brasil, setembro de 2026 – Em uma cozinha cada vez mais marcada pela velocidade, o chef Celso Freire defende justamente o contrário: calma. Para ele, preparar um bom caldo, construir um molho ou chegar ao ponto certo de uma receita são processos que exigem tempo, e podem até funcionar como uma espécie de terapia. “Vai fazer caldo, vai fazer molho, você vai se acalmar”, afirma o chef em entrevista a Vinicius França, fundador do Sabores de Curitiba e apresentador do podcast Me Passa a Receita. A conversa percorreu quase quatro décadas de carreira, a transformação da gastronomia curitibana, a formação de novos cozinheiros e terminou com uma receita que traduz sua filosofia: quirera cremosa com porpetines de porco Moura, caldo de especiarias e telha de polenta. “Não tenha pressa”: o conselho de quem já soma 38 anos de cozinha A relação de Celso Freire com a gastronomia começou de forma pouco convencional. Formado em Economia, ele deixou o mercado corporativo para trabalhar na cozinha e, em apenas três anos, assumiu o comando do restaurante Boulevard, em Curitiba. Hoje, olhando para trás, o próprio chef considera que a trajetória foi rápida demais. “Tenha calma. Percorra os caminhos, faça quilômetros, corte, queime. Não tenha pressa”, aconselha. A experiência ensinou a Celso que técnica não se constrói apenas com talento ou conhecimento teórico. Ao longo da carreira, ele passou por cozinhas importantes no Brasil e no exterior, incluindo uma experiência no restaurante do chef Gualtiero Marchesi, na Itália, com três estrelas Michelin. Também atuou na Embaixada do Brasil em Londres e, durante 24 anos, foi professor do Centro Europeu, em Curitiba, onde acompanhou a formação de diferentes gerações de profissionais da gastronomia. Para o chef, o repertório necessário para assumir a responsabilidade de uma cozinha não aparece de uma hora para outra. Ao conversar com Vinicius França, ele defende que quem está começando deve buscar experiências, estudar, passar por diferentes cozinhas e entender que o tempo também faz parte da formação profissional. “Falta repertório para você arcar com a responsabilidade de ter uma casa, ter um restaurante”, explica. Do caldo à quirera: quando o tempo vira técnica A receita preparada no Me Passa a Receita é um exemplo prático dessa filosofia. A quirera é cozida lentamente, como um risoto, incorporando aos poucos um caldo de legumes aromatizado. Na finalização, recebe parmesão e manteiga gelada, responsáveis por trazer cremosidade à preparação. Já os porpetines são feitos com carne de porco Moura moída duas vezes, com cerca de 30% de gordura, pão umedecido, parmesão e temperos. O elemento que mais exige tempo, porém, é o caldo de especiarias. Preparado a partir de ossos de porco tostados e vegetais, ele passa por um processo lento de cocção e redução que leva cerca de três horas. Para Celso, não é necessário encarar esse tipo de preparo como algo complicado: o segredo está em fazer com antecedência e respeitar o processo. “Qualquer pessoa em casa consegue, com calma, paciência”, afirma. A mesma lógica aparece na escolha dos ingredientes. A receita parte de elementos simples e ligados à memória da comida brasileira: porco, quirera, milho e ervas, mas recebe técnicas e cuidados capazes de transformar o resultado. “Tudo que é simples precisa ser cuidado, muito bem cuidado e ser apresentado dignamente”, resume o chef. Olho, nariz e boca: os três sentidos que precisam conversar Para Celso, a avaliação de um prato começa antes da primeira garfada. Durante a conversa com Vinicius França, ele compartilhou uma regra que costuma ensinar aos alunos: “Todo preparo (…) você tem que ter olho, nariz, boca. Se um desses três não conversar, a cozinha falhou”. A ideia resume uma visão de gastronomia que vai além da técnica. A apresentação precisa despertar o olhar, o aroma deve preparar o paladar e o sabor precisa confirmar a expectativa criada pelos outros sentidos. Na receita do podcast, a crocância da telha de polenta, a cremosidade da quirera, a maciez dos porpetines e o perfume do caldo de especiarias foram pensados para criar esse equilíbrio. A escolha da quirera também carrega uma relação com a memória. Celso conta que pratos como carne de porco com quirera fazem parte de sua lembrança de comida de casa e da cultura gastronômica de Curitiba. É justamente nessa combinação entre memória, técnica e tempo que ele encontra uma das características mais importantes da cozinha. “Cozinhar é muito legal e ser cozinheiro é muito bonito” Ao longo da entrevista, Celso Freire também falou sobre sua relação com o ensino e sobre o impacto das cozinhas na formação de profissionais. Depois de 24 anos lecionando no Centro Europeu, ele afirma que a escola não apenas ajudou a formar seus alunos, mas também teve papel importante em sua própria trajetória. Para o chef, a cozinha ensina muito além de receitas. Disciplina, higiene, organização, técnica, convivência e responsabilidade fazem parte do processo. “A cozinha educa as pessoas”, afirma. E, ao lembrar os anos dedicados aos alunos, resume o que considera uma de suas maiores contribuições: mostrar que trabalhar com gastronomia pode ser uma escolha de vida. “Cozinhar é muito legal e ser cozinheiro é muito bonito”, diz. Ao encerrar sua participação, Celso resume o espírito que levou para suas aulas durante décadas: “Vamos todos pra cozinha”. Produzido pelo Sabores de Curitiba, o podcast “Me Passa a Receita” une gastronomia, entrevistas e receitas em conversas descontraídas com chefs, sommeliers e profissionais do setor. O programa está com a nova temporada completa e pode ser acessado no Youtube e nas plataformas de streaming Spotify e Deezer

Instituto Manu Buffara fortalece transformação social por meio da gastronomia, educação alimentar e sustentabilidade em Curitiba

Organização amplia impacto social com projetos de combate à fome, hortas urbanas, formação profissional e apoio a produtores locais Em um momento em que segurança alimentar, sustentabilidade e inclusão social se tornam temas cada vez mais urgentes, o Instituto Manu Buffara, sediado em Curitiba (PR), vem consolidando sua atuação como uma das iniciativas brasileiras mais relevantes na conexão entre gastronomia, educação alimentar e transformação social. Fundado em 2022, o Instituto desenvolve programas voltados à promoção da alimentação saudável, à geração de renda e ao fortalecimento de comunidades em situação de vulnerabilidade. Com foco em jovens, mulheres, agricultores familiares, pescadores e populações vulneráveis, a organização utiliza a comida como ferramenta de mudança social. Mais do que alimentar, os projetos buscam criar autonomia, fortalecer vínculos comunitários e ampliar o acesso ao conhecimento sobre alimentação consciente. Segundo a chef e idealizadora do projeto, Manu Buffara, o propósito do Instituto nasce da compreensão de que a alimentação desempenha papel central na construção de uma sociedade mais equilibrada e humana. O trabalho é realizado em parceria com produtores regionais, cooperativas, cozinheiros, poder público e organizações sociais, promovendo geração de renda, qualificação profissional e segurança alimentar. “O alimento tem um papel que vai muito além da nutrição. Ele conecta pessoas, fortalece comunidades e pode transformar realidades sociais quando pensamos em sustentabilidade, educação e inclusão”, destaca. Alimenta Curitiba une combate à fome e educação alimentar Entre os projetos de maior alcance está o Alimenta Curitiba, realizado desde 2020, baseado em hortas urbanas comunitárias, ações educacionais, projetos de sustentabilidade e campanhas beneficentes voltadas à proteção de crianças, mulheres e pessoas em situação de risco social. A iniciativa combina distribuição de alimentos nutritivos com atividades de educação alimentar e cidadania em comunidades vulneráveis da capital paranaense. Em um cenário de crescimento da insegurança alimentar no país, o programa atua diretamente no acesso à comida de qualidade e no fortalecimento da dignidade das famílias atendidas. Além das ações emergenciais de combate à fome, o projeto promove oficinas educativas, incentivo ao aproveitamento integral dos alimentos e conscientização sobre hábitos alimentares mais saudáveis. As atividades contam com apoio do poder público municipal e envolvem ações de inclusão social e estímulo à autonomia alimentar das comunidades. “O combate à fome não passa apenas pela entrega do alimento, mas também pela construção de conhecimento e oportunidades. Quando uma pessoa entende o valor da alimentação e consegue produzir ou transformar aquilo em renda, o impacto é muito maior e mais duradouro”, ressalta Manu Buffara. Hortas urbanas transformam espaços públicos e fortalecem comunidades Outro eixo estratégico do Instituto Manu Buffara é o desenvolvimento de hortas urbanas em Curitiba. O projeto transforma terrenos antes abandonados em áreas produtivas destinadas ao cultivo sustentável de alimentos, aproximando moradores da terra, do cultivo e do consumo consciente. Mais do que produzir alimentos, as hortas ajudam a criar senso de pertencimento, responsabilidade coletiva e conexão com o meio ambiente. A iniciativa também contribui para reduzir a insegurança alimentar e estimular práticas sustentáveis dentro da cidade. A Fazenda Urbana de Curitiba, localizada ao lado do Mercado Regional do Cajuru, integra esse movimento e atualmente cultiva mais de 60 variedades de frutas, legumes, verduras, ervas, especiarias e plantas alimentícias não convencionais (PANCs). “O espaço conta ainda com estufas, banco de alimentos, central de compostagem e cozinha-escola destinada à capacitação culinária e ações educativas”, explica a chef. Apoio a agricultores familiares e pescadores fortalece economia local O Instituto também atua diretamente no fortalecimento da cadeia alimentar regional por meio do apoio a agricultores familiares, pescadores artesanais e pequenos produtores locais. Cerca de 80% dos ingredientes utilizados pelo Restaurante Manu são provenientes de produtores localizados em um raio de até 300 quilômetros de Curitiba. A iniciativa prioriza alimentos sazonais, frescos e produzidos com práticas sustentáveis, incentivando relações comerciais mais justas e responsáveis. O trabalho contribui para fortalecer a economia local, preservar tradições alimentares e valorizar produtores que muitas vezes enfrentam dificuldades para acessar mercados maiores. Um dos exemplos destacados por Manu Buffara foi o incentivo ao consumo de peixe fresco em Curitiba. Segundo a chef, o movimento colaborou para ampliar a oferta de pescado fresco na cidade e criar novas oportunidades para pescadores locais. “Quando fortalecemos produtores locais, fortalecemos também a economia regional, a cultura alimentar e a sustentabilidade. Existe uma transformação coletiva quando criamos relações mais conscientes com quem produz o alimento”, ressalta. Sustentabilidade e inclusão social fazem parte da filosofia institucional As iniciativas do Instituto também incluem ações voltadas à sustentabilidade ambiental e à inclusão social. Entre elas estão oficinas de desperdício zero, incentivo ao consumo consciente, valorização de vinhos naturais e biodinâmicos, preservação de abelhas nativas brasileiras e programas educacionais para pessoas em situação de vulnerabilidade social e risco nutricional. A organização também promove leilões beneficentes e campanhas de arrecadação voltadas à construção e reforma de moradias, apoio a instituições de acolhimento e financiamento de projetos sociais. “Todas as ações seguem uma filosofia baseada na alimentação consciente, responsabilidade ambiental e redução das desigualdades sociais por meio da gastronomia”, explica a profissional. Para o Instituto Manu Buffara, cozinhar também é um ato de cuidado coletivo. “A proposta é mostrar que a gastronomia pode ocupar um papel estratégico na construção de cidades mais sustentáveis, humanas e socialmente justas”, completa a chef.

Consumidor busca experiência além do café e transforma relação com as cafeterias

Ambiente, atendimento, conveniência, personalização e identidade de marca ganham espaço ao lado da qualidade da bebida na decisão de compra e fidelização O consumo de café no Brasil passa por uma transformação que vai além da escolha da bebida. Os consumidores buscam cada vez mais experiências que combinem produto, ambiente, atendimento, conveniência e possibilidades de socialização. Movimento que vem alterando a forma como marcas do setor, como a Go Coffee, estruturam suas lojas, seus cardápios e o relacionamento com o público. A mudança acompanha o avanço da chamada economia da experiência e a valorização de momentos significativos ao longo da jornada de consumo. Segundo a Customer Experience Survey 2025, da PwC, 52% dos consumidores deixaram de comprar de uma marca depois de uma experiência ruim com o produto ou serviço, enquanto 29% abandonaram uma empresa por problemas no atendimento presencial ou digital. O levantamento também aponta que 70% dos executivos reconhecem que as expectativas dos consumidores avançam mais rapidamente do que a capacidade das empresas de acompanhá-las. A tendência não está restrita ao setor de cafés. O relatório State of the Consumer 2026, da McKinsey, identifica a economia da experiência como uma das principais transformações do consumo. Entre 2023 e 2025, o mercado global de experiências cresceu aproximadamente 2,6%, ante 0,8% registrado pelos bens não essenciais. Outro estudo da consultoria aponta que os gastos relacionados a experiências chegaram a crescer cerca de quatro vezes mais rapidamente do que o consumo de bens físicos. Nas cafeterias, esse comportamento faz com que a qualidade do café continue relevante, mas deixe de atuar de forma isolada na decisão do consumidor. Ambiente, identidade visual, atendimento, praticidade e novidades no cardápio passam a integrar a percepção de valor. “Deixamos de pensar na loja apenas como ponto de venda de café e passamos a pensar na jornada completa do cliente. O que ele vive desde o momento em que entra até o momento em que sai. Isso aparece em decisões como um ambiente pensado para ser convidativo e compartilhável, atendimento que valoriza a experiência e não só a rapidez do pedido, e um cardápio que vai além do café tradicional”, afirma André Henning, cofundador da Go Coffee. Café ganha espaço em momentos de trabalho, lazer e socialização A mudança também aparece na forma como os consumidores utilizam as cafeterias. Segundo Henning, os clientes permanecem mais tempo nos espaços, encontram amigos, fazem reuniões rápidas e utilizam o ambiente para pausas durante o expediente. A empresa também observa ocasiões de consumo compartilhado, com pedidos para duplas ou grupos, além de maior utilização das unidades fora dos horários tradicionalmente considerados de pico. “O café deixou de ser só o motivo da visita e passou a funcionar também como um pretexto para viver diferentes momentos. A loja pode receber uma reunião rápida, um encontro entre amigos ou uma pausa no meio do trabalho. Isso muda a maneira como pensamos a experiência oferecida ao consumidor”, avalia Henning. Essa transformação também influencia o desenvolvimento de produtos. Na Go Coffee, lançamentos sazonais e parcerias ajudam a renovar o cardápio e a criar novos motivos para visitar as lojas. A personalização aparece em escolhas como o tipo de leite utilizado nas bebidas e, no caso dos frappes, na possibilidade de adicionar ou não café à base de creme. A proposta é atender diferentes preferências sem deixar de lado a agilidade no atendimento. Experiência passa a influenciar fidelização do consumidor O peso da experiência na fidelidade também aparece em pesquisas internacionais. O Consumer Experience Trends Report, da Qualtrics, ouviu mais de 20 mil consumidores em 14 países e aponta que 92% consideram que um bom atendimento influencia mais a satisfação do que simplesmente pagar um preço baixo. Confiança, transparência e consistência ao longo da jornada também aparecem entre os fatores associados à experiência de consumo. Para Henning, a recorrência depende da combinação de diferentes elementos. Consistência entre unidades, ambiente, atendimento e renovação do cardápio ajudam a construir confiança e a manter o interesse do consumidor. A percepção acompanha uma mudança mais ampla no comportamento de consumo: o preço deixa de ser o único elemento decisivo, enquanto o valor percebido e a qualidade da interação com a marca ganham espaço. “Além da qualidade da bebida, a consistência pesa bastante na decisão de voltar. O cliente precisa encontrar a mesma experiência em qualquer unidade da rede. Ambiente e atendimento também têm um papel relevante, assim como a variedade e as novidades no cardápio, que mantêm a curiosidade do consumidor ativa”, afirma Henning. Nesse cenário, a disputa no mercado de cafeterias passa a envolver mais do que produto e preço. Para as marcas, o desafio é equilibrar qualidade, praticidade, inovação, personalização e relacionamento. Ao mesmo tempo, os consumidores passam a considerar toda a jornada antes de decidir onde comprar e, principalmente, onde voltar. Na avaliação da Go Coffee, essa transformação tende a manter a experiência de marca no centro das estratégias do setor.

Manu Buffara leva cozinha brasileira e profissionais de Curitiba ao Ritual at Manresa, na Califórnia

De 26 a 30 de agosto, chef brasileira participa de residência gastronômica em Los Gatos e reúne profissionais ligados à sua trajetória para cinco noites na antiga casa do chef David Kinch A chef brasileira Manu Buffara desembarca na Califórnia para uma participação especial no Ritual at Manresa, em Los Gatos. Durante cinco noites, de 26 a 30 de agosto, ela assume a cozinha do espaço que abrigou o histórico Manresa, de David Kinch, levando aos Estados Unidos sua identidade gastronômica e reunindo profissionais e amigos de Curitiba que fazem parte de sua trajetória. A participação acontece no endereço que abrigou o Manresa, restaurante comandado por David Kinch durante cerca de duas décadas e que chegou a manter três estrelas Michelin por sete anos consecutivos. Após o encerramento do restaurante original, no fim de 2022, o espaço passou a receber o Ritual at Manresa, projeto dedicado a temporadas com chefs convidados de diferentes partes do mundo. Kinch participa da iniciativa como Culinary Ambassador. Na temporada de 2026, o Ritual at Manresa recebe chefs para experiências concentradas em uma semana, com cinco noites de jantar. A passagem de Manu Buffara levará à Califórnia a perspectiva que orienta o trabalho da chef: uma cozinha conectada à origem dos ingredientes, aos produtores e às comunidades responsáveis pelos alimentos que chegam à mesa. A trajetória internacional de Manu inclui passagens pelo Noma, em Copenhague, e pelo Alinea, em Chicago, antes de seu retorno ao Brasil e da abertura de seu restaurante homônimo em Curitiba. Em 2022, foi reconhecida como Latin America’s Best Female Chef e também recebeu Three Knives no The Best Chef Awards. Seu restaurante já integrou a seleção do Latin America’s 50 Best Restaurants. Para Manu, a gastronomia também pode atuar para além dos limites do restaurante. Sua atuação parte da relação com território, cultura, produtores e comunidades locais, entendendo a cozinha como instrumento de conexão e desenvolvimento. “Tenha orgulho das suas origens, da sua terra, da sua família e da sua cultura. Essa é a nossa maior inspiração”, afirma a chef. Curitiba também ocupa a cozinha do antigo Manresa A residência gastronômica terá ainda um componente coletivo. Em vez de viajar exclusivamente com a equipe habitual de seu restaurante, Manu reuniu profissionais ligados à gastronomia de Curitiba e à sua própria história. Entre os participantes confirmados estão Danilo Takigawa, do Azo; Igor Marquesini, do restaurante Igor; Ariel Todeschini, responsável pelos coquetéis; Vanessa dos Reis, chef de pâtisserie; Claudia Krauspenhar, do KSA; além de profissionais de salão e pessoas próximas à chef. A escolha amplia o significado da participação brasileira no Ritual at Manresa. Além da cozinha de Manu Buffara, a experiência reúne diferentes profissionais da cena gastronômica curitibana em torno de um mesmo serviço e apresenta ao público californiano uma cultura de colaboração construída ao longo dos anos na capital paranaense. “Eu poderia simplesmente levar a minha equipe do restaurante, mas queria que essa viagem tivesse outro significado. Queria reunir pessoas de quem eu gosto, profissionais que admiro e amigos que fazem parte da minha história. A gastronomia também é isso: troca, amizade, generosidade e construção coletiva. Poder estar com eles dentro de uma cozinha tão importante como a do antigo Manresa torna tudo ainda mais especial”, afirma Manu. Ritual at Manresa reúne chefs de diferentes países Criado pelos irmãos uruguaios Juan e Luis Caviglia, o Ritual começou em 2021 com experiências gastronômicas realizadas por chefs convidados em residências privadas na Califórnia e, posteriormente, estabeleceu-se no antigo Manresa. O projeto passou a receber nomes reconhecidos da gastronomia internacional para ocupações temporárias da cozinha em Los Gatos. Entre os chefs e restaurantes que já passaram pelo projeto estão Ángel León, do Aponiente; Junghyun Park, do Atomix; Alex Atala, do D.O.M.; Julien Royer, do Odette; Jeremy Chan, do Ikoyi; Paco Morales, do Noor; Rodolfo Guzmán, do Boragó; e Christopher Kostow, do Meadowood. Entre os brasileiros, além de Alex Atala, o chef Luiz Filipe Souza levou o Evvai ao projeto em 2025. A participação de Manu Buffara dá continuidade a essa presença brasileira e coloca Curitiba no circuito de uma programação internacional dedicada ao intercâmbio entre diferentes culturas gastronômicas. Ao reunir sua identidade culinária, profissionais de sua cidade e relações construídas ao longo da carreira, a chef transforma as cinco noites na Califórnia também em uma apresentação coletiva de parte da gastronomia contemporânea brasileira. SERVIÇO Ritual at Manresa com Manu BuffaraData: 26 a 30/08/2026Local: Ritual at ManresaCidade: Los Gatos, Califórnia, Estados UnidosFormato: cinco noites de jantarIngressos: disponíveis pela plataforma oficial do Ritual

1º Festival de Sanduíches de Arquibancada leva clássicos dos estádios para a Rua 24 Horas

O Bávaro, tradicional sports bar de Curitiba, promove o evento, entre os dias 19 a 22 de agosto, que terá como destaque preparos como pão com bolinho, pão com bife, X-Picanha e parmegiana no pão  Curitiba, agosto de 2026 – De 19 a 22 de agosto, o Bávaro, tradicional operação da Rua 24 Horas, coloca o clima das arquibancadas no cardápio com o 1° Festival de Sanduíches de Arquibancada. Conhecido também pela tradição de reunir os torcedores para acompanhar partidas de futebol em seus telões, o bar aproveita sua relação com o universo esportivo para criar um festival inspirado nos sabores que fazem parte da experiência de quem frequenta os estádios. A proposta é reunir clássicos populares das arquibancadas curitibanas em versões preparadas especialmente para o festival. Entre os destaques está o Pão com Bolinho (R$ 19,90), uma das combinações mais tradicionais das arquibancadas curitibanas. A receita do Bávaro leva bolinho de carne, queijo, vinagrete e maionese da casa. Outra opção é o Pão com Bife (R$ 19,90), servido na baguete com alcatra, queijo, vinagrete e maionese verde. Já para quem busca uma versão mais robusta, o X-Picanha (R$ 39,90) combina pão de brioche, picanha, queijo derretido e maionese da casa. O cardápio também atravessa as fronteiras brasileiras para buscar inspiração nos estádios argentinos. A Parmegiana de Arquibancada (R$ 29,90) chega em pão de baguete, com carne à milanesa, molho de tomate e queijo, trazendo para o festival uma preparação associada à comida de estádio na Argentina. “Futebol e Bávaro sempre tiveram uma relação muito próxima. A casa já tem essa tradição de receber os torcedores, transmitir os jogos e criar um ambiente descontraído para acompanhar as partidas. O festival nasceu justamente dessa conexão, trazendo para o cardápio alguns sabores que remetem à arquibancada e àquele momento de comer um bom sanduíche enquanto se assiste ao jogo”, destaca Luiz Breda, sócio fundador do Bávaro. Sanduíches: – Pão com Bolinho – R$ 19,90 – Pão com Bife – R$ 19,90 – Parmegiana de Arquibancada – R$ 29,90 – X-Picanha – R$ 39,90 “Com opções que vão de um dos maiores símbolos da gastronomia popular curitibana, o pão com bolinho, a receitas inspiradas nos estádios argentinos, o festival reforça a proposta do Bávaro de unir gastronomia, descontração e futebol em um dos pontos turísticos mais tradicionais de Curitiba”, completa Breda. O Festival de Sanduíche de Arquibancada acontece de quarta (19) a sábado (22) na Rua 24 Horas (Rua Visconde de Nácar, s/n), com programação das 10h às 23h. Para mais informações acesse o perfil oficial do Bávaro no Instagram: @bavaro__.

Do LENDAA à gastronomia: fim de semana reúne música, arte e sabores em Curitiba e região

Festival de música eletrônica em meio à Mata Atlântica, sanduíches inspirados nas arquibancadas, experiências gastronômicas autorais e programação cultural estão entre os destaques O fim de semana promete opções para diferentes estilos e públicos em Curitiba e região. Em Morretes, o LENDAA – Chapter V acontece a partir desta sexta-feira (21), combinando música eletrônica, natureza, wellness e experiências imersivas durante dois dias. Já na capital, o 1º Festival de Sanduíches de Arquibancada, do Bávaro, leva à Rua 24 Horas clássicos como pão com bolinho, pão com bife, X-Picanha e parmegiana no pão. Para quem prefere arte, o Museu Oscar Niemeyer segue com a 16ª Bienal Internacional de Curitiba, que reúne artistas de diferentes países e reflexões sobre tecnologia e os desafios da vida contemporânea. Na gastronomia, o fim de semana também tem experiências para todos os gostos. O Nuu Nikkei celebra dez anos de trajetória com sua cozinha autoral, enquanto o Restaurante Manu comemora 15 anos com o menu degustação “Meu Brasil, Minha Mesa”, inspirado na trajetória da chef Manu Buffara. Há ainda opções como os waffles doces e salgados da Go Coffee, o pastrami do Cantuca Brasero & Bar, a coquetelaria autoral do Áscua e o novo pão croissant com amêndoas da Casa do Croissant. Para quem prefere preparar os drinks em casa, a curitibana Fidelio também apresenta seu primeiro coquetel engarrafado, à base de vinho rosé, frutas vermelhas e flor de sabugueiro. Confira mais detalhes: Festival LENDAA – A contagem regressiva está chegando ao fim. O LENDAA – Chapter V começa nesta sexta-feira (21), em Morretes (PR). Durante dois dias, o público poderá vivenciar uma experiência que combina música eletrônica, natureza, wellness e atividades imersivas em plena Mata Atlântica. Com os últimos ingressos disponíveis, a edição de 2026 reúne uma programação construída para transformar o fim de semana em uma jornada que vai muito além da pista. Serão 12 horas de música, além de experiências que exploram movimento, recuperação, conexão e contato com a natureza. Os ingressos são limitadíssimos e estão disponíveis via plataforma Meaple (https://meaple.com.br/planeta-brasil/lendaa-v). Para mais informações, siga o perfil oficial do festival no Instagram: @seja.lendaa. Sanduíches de Arquibancada – O Bávaro promove até sábado (22) o 1º Festival de Sanduíches de Arquibancada, trazendo para a Rua 24 Horas clássicos associados à cultura dos estádios. Entre os destaques estão o Pão com Bolinho (R$ 19,90), com bolinho de carne, queijo, vinagrete e maionese da casa, e o Pão com Bife (R$ 19,90), servido na baguete com alcatra, queijo, vinagrete e maionese verde. O cardápio também inclui o X-Picanha (R$ 39,90), com picanha e queijo no brioche, e a Parmegiana de Arquibancada (R$ 29,90), inspirada nos estádios argentinos. O festival acontece das 10h às 23h, na Rua Visconde de Nácar, s/n, com opções que unem futebol, gastronomia popular e o clima descontraído da Rua 24 Horas. Mais informações no perfil oficial do Instagram: @bavaro__. Comida nikkei autoral – O restaurante Nuu Nikkei completa dez anos em Curitiba celebrando uma trajetória marcada pela constância e pela identidade. Inaugurado em 2016, quando a gastronomia nikkei ainda era pouco conhecida na cidade, o restaurante ajudou a ampliar o repertório do público sem abrir mão de sua proposta autoral. Entre os pratos que traduzem essa cozinha estão a Trilogia de Ceviches, que reúne salmão, atum e ceviche peruano, e o Niguiri Niku Parrillero, que combina a técnica japonesa com referências peruanas. Ao longo da década, a casa optou por não seguir tendências passageiras nem abrir novas unidades, concentrando esforços na qualidade e na experiência oferecida em uma única operação. Para o sócio Luiz Araujo, “novidade é quando as pessoas vêm conhecer. Referência é quando elas voltam e trazem alguém junto”. Mais informações no perfil oficial no Instagram: @nuunikkei. “Meu Brasil, Minha Mesa” – Comandado pela chef Manu Buffara, o Restaurante Manu, em Curitiba, celebra 15 anos de história com o menu especial “Meu Brasil, Minha Mesa”, disponível de 18 de agosto a dezembro de 2026. A experiência, em cinco etapas e mediante reserva antecipada, revisita pratos emblemáticos e criações inspiradas em viagens, pesquisas, produtores e comunidades que marcaram a trajetória da chef. O menu também dialoga com o livro Meu Brasil, lançado neste ano, reforçando a valorização da biodiversidade e da cultura alimentar brasileira. A experiência custa R$ 420 por pessoa e pode ser complementada pela seleção “Vinhos que Contam Histórias”, com rótulos da adega pessoal de Manu, em curadoria da sommelier Natália Oliveira, a R$ 65 a taça. Reservas: (41) 99275-8071. Para mais informações, acesse a página oficial da chef no Instagram @manubuffara Waffles doces e salgados – Para quem busca uma opção para o fim de semana, a Go Coffee oferece um cardápio de waffles com versões doces e salgadas. Entre os sabores doces estão Banoffee, com banana, doce de leite e chantilly; Chocolate ao Leite; Frutas Vermelhas; Mel e Granola; e Chocolate Branco. Nas opções salgadas, o menu reúne waffles de Queijo, Queijo e Presunto e Queijo e Peito de Peru. As receitas levam recheio de requeijão e queijo e são finalizadas com muçarela maçaricada. Os sabores e a disponibilidade podem variar conforme a unidade. Para saber mais sobre a marca, acesse www.gocoffee.com.br ou acompanhe as novidades no Instagram: @gocoffeebrasil. Drink engarrafado – A curitibana Fidelio acaba de lançar seu primeiro coquetel pronto, desenvolvido pelo bartender Augusto Swaiger. Produzido à base de vinho rosé, frutas vermelhas e flor de sabugueiro, o drink nasce com a proposta de aproximar a coquetelaria autoral do consumo cotidiano, preservando a qualidade e o equilíbrio de um coquetel preparado na hora. A iniciativa acompanha o crescimento do mercado de bebidas Ready-to-Drink (RTD) no Brasil e aposta em uma categoria ainda pouco explorada no país: a dos coquetéis autorais engarrafados. Mais informações no perfil oficial do Instagram: @drinkfidelio. Pastrami especial – Quem quer aproveitar o fim de semana para comer bem em ambientes descontraídos de Curitiba pode apostar nos restaurantes Cantuca Brasero & Bar e Canto – Bar de Parrilla. No Cantuca, o pastrami é um dos destaques para quem gosta de carnes

Nuu Nikkei chega aos 10 anos como referência da gastronomia paranaense: a excelência não está na novidade. Está na constância

Em uma década marcada por transformações na gastronomia, restaurante construiu sua trajetória sem abrir mão da identidade e transformou consistência em um dos principais valores da casa Brasil, agosto de 2026 – A gastronomia é um setor movido por novidades. Novos restaurantes, chefs, técnicas, ingredientes e tendências disputam diariamente a atenção de um público cada vez mais exigente. Mas, enquanto a novidade pode colocar uma casa em evidência, é a constância que transforma um restaurante em referência. É esse caminho que o Nuu Nikkei percorre ao completar dez anos em Curitiba: evoluir sem perder identidade e manter, serviço após serviço, a mesma régua de qualidade. Quando abriu as portas, em 2016, a cozinha nikkei ainda era pouco conhecida em Curitiba. Os clientes chegavam esperando encontrar um restaurante japonês e encontravam uma proposta própria, com sabores e ingredientes que ainda não faziam parte do repertório de muitos consumidores. Nos primeiros meses, parte importante do trabalho no salão era explicar o que estava sendo servido. Com o tempo, o cenário mudou. O público passou a pedir pratos da culinária nikkei pelo nome, outros restaurantes começaram a explorar a proposta e a cozinha deixou de ser uma novidade para ganhar espaço no repertório gastronômico da cidade. Para Luiz Araujo, sócio do Nuu Nikkei, essa transformação não aconteceu em um momento específico, mas foi construída ao longo do tempo. “Não teve um dia. Teve uma constatação, que veio devagar”, afirma. A percepção de que o Nuu havia conquistado outro lugar veio quando os clientes passaram a retornar e a levar outras pessoas para conhecer a casa. “Novidade é quando as pessoas vêm conhecer. Referência é quando elas voltam e trazem alguém junto”, diz Luiz. Ao longo da década, a casa também precisou fazer escolhas para preservar sua identidade. Entre elas, duas decisões foram especialmente importantes: não seguir tendências apenas porque estavam em alta e não abrir outras unidades. Segundo Luiz, houve oportunidades de expansão, mas a escolha foi concentrar esforços em fazer o melhor possível dentro da operação existente, em vez de espalhar a marca. “Identidade se preserva muito mais pelo que a gente não faz”, afirma o sócio. Para ele, sustentar uma proposta própria diante das mudanças do mercado foi justamente o que manteve o Nuu reconhecível ao longo dos anos. Na cozinha, essa mesma lógica se traduz em evolução sem perda de identidade. Para o chef Carlos Alata, acompanhar as transformações da gastronomia não significa necessariamente seguir aquilo que está em evidência. “Tendência é vento. Muda de direção e ninguém segura. Identidade é raiz”, define Carlos. Ao longo dos anos, explica, técnicas, fornecedores, cortes e pontos podem mudar, mas o processo criativo parte principalmente de suas próprias referências e experiências. “Eu não crio olhando o que está bombando. Crio olhando o que já vivi: cozinha que passei, gente com quem trabalhei, coisa que comi viajando e não saiu da cabeça.” O critério, segundo o chef, é não abrir mão daquilo que dá sentido à proposta. “O que eu não negocio é o porquê. Se a ideia nova não deixa o prato mais honesto, ela não entra. Mudar receita é fácil. Difícil é mudar sem se perder.” Ao longo de dez anos, muita coisa mudou dentro da cozinha do Nuu: a carta, os equipamentos, o tamanho da equipe e a própria maneira de trabalhar do chef. O que permaneceu foi o rigor na busca pela qualidade. “O que nunca mudou é o que ninguém vê. O critério. O peixe que entra e o peixe que volta pro fornecedor. O prato que eu mando refazer porque estava só quase certo”, afirma Carlos. “A régua não pode descer nunca. Porque no dia que ela desce um pouquinho, desce de novo na semana seguinte, e aí você não percebe mais.” Para o chef, essa busca por constância também transformou sua própria função dentro da cozinha. Se no início queria acompanhar e decidir tudo pessoalmente, hoje seu trabalho está cada vez mais ligado à formação da equipe e à construção de processos que permitam à cozinha funcionar sem depender de sua supervisão permanente. Essa mudança também redefiniu o que Carlos entende por excelência. “Antes eu achava que era o prato perfeito. Hoje eu sei que é o prato igual. Excelência é a centésima vez sair como a primeira, numa terça-feira cheia, com a equipe cansada. É constância, não é brilho.” Para ele, manter esse padrão não depende apenas de talento individual. “Constância não se faz com talento individual, se faz com processo, com repetição e com gente bem tratada. O cozinheiro que trabalha bem cuidado entrega melhor. Isso eu aprendi na prática.” A visão também aparece na gestão da casa. Para Luiz Araujo, manter a excelência significa aceitar que o trabalho mais difícil nem sempre é criar algo novo, mas repetir bem aquilo que já funciona. “Excelência é um problema de repetição, não de inspiração”, afirma. Na prática, essa filosofia envolve processos diários, desde a preparação antes da abertura até a seleção e o recebimento dos ingredientes. O objetivo é garantir que a experiência de quem retorna ao restaurante mantenha o mesmo padrão ao longo do tempo. “Um cliente que volta pela terceira vez não quer ser surpreendido. Ele quer reencontrar”, afirma Luiz. Em uma década, a gastronomia de Curitiba também mudou. E, para os sócios, parte do legado do Nuu está justamente na construção de um novo repertório para a cidade. Quando abriu, em 2016, a culinária nikkei ainda precisava ser apresentada ao público. Hoje, segundo Luiz, os clientes já reconhecem a proposta e chegam à casa com outro nível de conhecimento sobre esse universo gastronômico. “Curitiba hoje entende o que é o Nuu Nikkei. Essa compreensão levou anos para se formar e foi construída na mesa, cliente por cliente”, afirma. Para Luiz, existe ainda outro aspecto importante nessa trajetória: permanecer fiel a uma proposta autoral durante uma década. “O mercado gastronômico brasileiro tem uma rotatividade altíssima. Casa autoral que dura dez anos sem descaracterizar a proposta ainda é exceção. Se o Nuu serviu para

Basque Culinary Center: o “G20 da gastronomia” chega ao Paraná e coloca o Brasil no centro do debate global sobre o futuro da alimentação

Paraná recebe, pela primeira vez, a reunião anual do International Council do Basque Culinary Center, consolidando o Estado como protagonista da gastronomia mundial Considerado um dos mais importantes fóruns internacionais dedicados ao futuro da alimentação, o encontro anual do International Council do Basque Culinary Center (BCC) chega ao Paraná entre os dias 6 e 10 de novembro de 2026. Esta será a primeira vez que o Estado recebe a reunião e a segunda edição realizada em território brasileiro, reunindo alguns dos chefs mais influentes do mundo para discutir gastronomia, sustentabilidade, inovação, identidade cultural e transformação social por meio da alimentação. Conhecido como uma espécie de “G20 da gastronomia”, o encontro vai muito além da alta cozinha. Todos os anos, o Basque Culinary Center reúne um grupo seleto de profissionais para antecipar tendências e debater alguns dos principais desafios globais relacionados à alimentação. Mudanças climáticas, biodiversidade, desperdício de alimentos, segurança alimentar, agricultura regenerativa, inteligência artificial, inovação, cultura alimentar e impacto social estão entre os temas que norteiam discussões capazes de influenciar o setor em diferentes países. A escolha do Paraná como sede reforça a crescente relevância da gastronomia brasileira no cenário internacional. Organizado pelo Basque Culinary Center em parceria com o Instituto Manu Buffara, o encontro conta com a colaboração do SEBRAE, Grupo Belmot e Nomma Hotel, além do apoio da Prefeitura de Curitiba. Durante cinco dias, chefs, pesquisadores, produtores, empreendedores e especialistas participarão de visitas técnicas, reuniões estratégicas e atividades voltadas ao intercâmbio de conhecimento, valorizando a biodiversidade, os territórios e os sistemas alimentares brasileiros. Para Manu Buffara, integrante do International Council, receber a reunião em seu estado representa um momento importante para a gastronomia brasileira. “Receber o International Council do Basque Culinary Center no Paraná é uma oportunidade de mostrar ao mundo a riqueza do nosso território, da nossa biodiversidade e das pessoas que constroem a gastronomia brasileira diariamente. Queremos promover um encontro que gere conexões, compartilhe conhecimento e fortaleça a gastronomia como instrumento de transformação social”, afirma. O Basque Culinary Center nasceu em 2009, em San Sebastián (Donostia), no País Basco, como resultado da união entre a Universidade de Mondragón, alguns dos maiores chefs da gastronomia mundial e instituições públicas da região. Inaugurado oficialmente em 2011, tornou-se a primeira faculdade universitária de Gastronomia da Espanha e, desde então, consolidou-se como um dos principais centros globais de ensino, pesquisa, inovação e empreendedorismo em gastronomia. Hoje, o BCC é reconhecido por integrar educação universitária, ciência, tecnologia, sustentabilidade e desenvolvimento econômico em uma única instituição. Além da formação de profissionais, desenvolve pesquisas em ciência dos alimentos, comportamento do consumidor, inteligência artificial aplicada à alimentação, economia da gastronomia e inovação em restaurantes. Em 2025, ampliou sua atuação com a inauguração do Gastronomy Open Ecosystem (GOe), complexo voltado à pesquisa e à inovação aberta que conecta universidades, empresas, startups, produtores rurais e chefs em projetos de alcance internacional. Um dos principais diferenciais da instituição é o International Council, conselho formado por alguns dos maiores nomes da gastronomia contemporânea. Presidido por Joan Roca, o grupo reúne chefs como Dominique Crenn, Massimo Bottura, Gastón Acurio, Mauro Colagreco, Elena Reygadas, Josh Niland, Narda Lepes, Trine Hahnemann e a brasileira Manu Buffara, além de integrantes históricos como Ferran Adrià, René Redzepi, Heston Blumenthal, Michel Bras e Alex Atala. Durante a reunião no Paraná, os integrantes do conselho também escolherão o vencedor do Basque Culinary World Prize 2026, premiação criada pelo Governo Basco em parceria com o Basque Culinary Center para reconhecer chefs que utilizam a gastronomia como ferramenta de transformação social, inclusão, educação e desenvolvimento comunitário. A realização da reunião anual do International Council no Paraná reforça a posição do Estado como referência internacional em gastronomia, sustentabilidade e inovação. Ao reunir alguns dos principais chefs do planeta, o evento amplia a visibilidade da gastronomia brasileira, fortalece o intercâmbio de conhecimento e coloca Curitiba no centro das discussões sobre os desafios e as oportunidades da alimentação no século XXI. Programação gratuita para o público O ponto alto da agenda aberta ao público será o evento “Gastronomia, Identidade e Transformação”, realizado em 8 de novembro, no Memorial de Curitiba. Com entrada gratuita, a programação reunirá alguns dos principais chefs e especialistas da gastronomia nacional e internacional em palestras, mesas-redondas e showcookings dedicados a temas como sustentabilidade, biodiversidade, cultura alimentar, inovação, território e os desafios para o futuro da alimentação. Mais do que aproximar o público de algumas das maiores referências da gastronomia contemporânea, o evento foi concebido como um espaço de troca de conhecimento e reflexão sobre o papel da alimentação na transformação social, na preservação das identidades culturais e na construção de sistemas alimentares mais sustentáveis. A programação é voltada a profissionais do setor, estudantes, pesquisadores, produtores e todos os interessados em compreender como a gastronomia pode gerar impacto positivo para as pessoas e os territórios. SERVIÇO Evento: Gastronomia, Identidade e Transformação Data: 08/11/2026 Horário: das 10h às 16h Local: Memorial de Curitiba Cidade: Curitiba (PR) Entrada: Gratuita

Coquetelaria do Nuu Nikkei traduz o inverno em aromas, técnica e identidade

Carta reúne clássicos e drinks autorais com ingredientes, especiarias e defumações que combinam com os dias frios Com os dias frios, os programas gastronômicos ganham ainda mais espaço. Em dias de temperaturas baixas, bebidas mais aromáticas, estruturadas e com camadas de sabor passam a ocupar o centro da experiência à mesa. No Nuu Nikkei, um dos principais restaurantes de alta gastronomia de Curitiba, a carta de coquetéis acompanha essa proposta ao transformar ingredientes, técnicas e referências da cozinha nikkei em drinks que combinam perfeitamente com a estação. Muito além do frescor tradicional da coquetelaria, a seleção da casa valoriza especiarias, chás, cítricos na medida certa, ervas frescas, infusões e técnicas como a defumação, criando bebidas elegantes e complexas, pensadas tanto para harmonizar com os pratos quanto para serem apreciadas por si só. Entre os drinks clássicos do Nuu, o restaurante apresenta releituras que preservam a essência das receitas, com assinatura própria da casa. O Pisco Sour leva pisco, limão e albumina, com textura aveludada e acidez equilibrada. O Hemingway Pipe combina gin, vinho branco e limão, finalizado com defumação em ipê-roxo, trazendo profundidade e notas aromáticas ideais para o inverno. Já o Nuu Spirit reúne bourbon, limão-siciliano, hibisco e manjericão, enquanto o Basil Mint #2 combina gin, maçã, gengibre, manjericão e hortelã, equilibrando frescor e intensidade. Nos autorais, a criatividade aparece em diferentes perfis. O Purple King, preparado com gin, Ramazzotti, limão-siciliano, cordial pepper, chá Earl Grey e chicha, oferece notas especiadas e uma construção mais intensa. O Rosa do Sul reúne vodka, xarope de cereja, vermouth rosato e limão-siciliano, em um coquetel elegante e aromático. O Nuu Green combina pisco, chá japonês, suco de couve, gengibre e limão-siciliano, enquanto o Fresh Spicy aposta na combinação de tequila, gengibre, Luxardo e club soda para criar um equilíbrio entre picância e leveza. Já o Summertime, apesar do nome, continua sendo uma opção para quem prefere um drink mais cítrico e delicado, preparado com saquê, Aperol, limão-siciliano e gengibre. Segundo o chef peruano Carlos Alata, responsável pela gastronomia da casa, a coquetelaria segue exatamente a mesma filosofia aplicada aos pratos. “Cada drink foi pensado para conversar com a cozinha do Nuu. Buscamos equilíbrio, técnica e ingredientes que valorizem os aromas e a experiência do cliente. No inverno, esse perfil mais aromático e com maior profundidade de sabores acaba ganhando ainda mais destaque”, afirma. O Nuu Nikkei funciona na Rua Fernando Simas (nº 333), no bairro Bigorrilho, em Curitiba (PR). A casa abre para o jantar, de terça a domingo, a partir das 18h. Reservas e informações estão disponíveis no perfil oficial do restaurante no Instagram: @nuunikkei.