Cenipa identifica falhas no gerador de helicóptero de Rick meses antes da queda

Relatório preliminar também aponta desligamentos do piloto automático e histórico de vibrações na aeronave que matou cinco pessoas

Cenipa identifica falhas no gerador de helicóptero de Rick meses antes da queda
Helicóptero que matou cantor Rick e outras quatro pessoas em setembro na Serra Catarinense tinha falhas intermitentes no gerador — Foto: Reprodução

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos divulgou relatório sobre o acidente que matou o cantor Rick em setembro

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou nesta quinta-feira (23 de outubro) um relatório preliminar sobre o acidente de helicóptero que matou o cantor Rick, da dupla Rick e Renner, e outras quatro pessoas na Serra Catarinense em setembro de 2026.

Segundo o Cenipa, a aeronave apresentava falhas intermitentes nos geradores de energia. Os defeitos elétricos costumavam acontecer em momentos de exposição à umidade, como em voos realizados sob chuva ou no interior de nuvens densas.

Apesar do histórico, os investigadores destacaram que o relatório não apresenta uma causa definitiva para a queda. O Cenipa analisa se estes problemas tiveram ligação direta com o acidente.

Os investigadores também identificaram relatos de falhas no sistema do piloto automático, mecanismo que ajuda a conduzir o helicóptero sem comandos manuais. De acordo com os depoimentos, o sistema desligou sozinho no ar algumas vezes, mas os pilotos conseguiram controlar a situação e reiniciar o equipamento.

A aeronave possuía um histórico de vibração no rotor principal, o conjunto de hélices localizado na parte superior do helicóptero. Em março de 2026, o veículo passou por um pouso de emergência na cidade de Ibiaçá, no Rio Grande do Sul, por conta de uma trepidação intensa durante a viagem. Após uma inspeção visual, o helicóptero seguiu voos e passou por reparos nos amortecedores do rotor. A trepidação não se repetiu.

Uma nova checagem foi feita em agosto de 2026, confirmando que os níveis de vibração estavam dentro dos padrões exigidos pelos manuais de segurança.

Os dados divulgados pelo Cenipa apontam para uma grande diferença de experiência entre o piloto e o copiloto do helicóptero. Antônio Roberto Nóbrega de Araújo, piloto responsável, tinha mais de 11.300 horas de voo em helicópteros e contava com autorização regular para realizar voos por instrumentos — quando não há visibilidade e o piloto se guia apenas pelas telas e aparelhos de bordo.

O copiloto Leopoldo Barros Teixeira, por outro lado, somava 137 horas totais de voo e não possuía habilitação técnica para operar guiado somente por instrumentos. A investigação segue aberta.