Centro-Oeste lidera crescimento da renda média em 2025 impulsionado pelo agronegócio

Rendimento médio real atinge recorde histórico com destaque para a influência do setor agropecuário na região Centro-Oeste

Centro-Oeste lidera crescimento da renda média em 2025 impulsionado pelo agronegócio
Cultivo de milho em área agrícola do Centro-Oeste brasileiro. Foto: REUTERS/Adriano Machado

Renda média 2025 bate recorde histórico no Brasil, com destaque para o Centro-Oeste impulsionado pelo agronegócio e crescimento da renda do trabalho.

A renda média 2025 alcança recorde impulsionada pelo agronegócio no Centro-Oeste

A renda média 2025 atingiu um recorde histórico no Brasil, com o Centro-Oeste consolidando-se como a região com maior rendimento habitual do trabalho, alcançando R$ 4.133 reais, superando as regiões Sul e Sudeste. Fernando de Holanda Barbosa Filho, pesquisador do FGV/Ibre, destaca que esse desempenho extraordinário é resultado direto da expansão do agronegócio na região nas últimas décadas, que elevou significativamente a remuneração média local e modificou o cenário tradicional de distribuição da renda no país.

Impacto do mercado de trabalho e distribuição da renda no cenário nacional

O mercado de trabalho foi o principal motor do aumento da renda domiciliar, refletindo um crescimento de 5,4% em relação a 2024, com a parcela da população que possui algum tipo de rendimento atingindo 67,2%, equivalente a 143 milhões de pessoas. O rendimento médio do trabalho ampliou-se para R$ 3.560 reais. Essa dinâmica trouxe transformações relevantes na distribuição regional da riqueza, evidenciando o protagonismo do setor agropecuário em cidades de médio porte do Centro-Oeste que hoje formam uma cadeia sólida de negócios.

Programas sociais e aposentadorias: desafios e relevância estrutural

Os programas sociais do governo atendem a 9,1% da população com rendimento médio de R$ 870 reais, um valor que cresceu mais de 70% desde antes de 2020, mantendo-se estável em relação a 2024, mas ainda superior ao período pré-pandemia. A proporção de pessoas recebendo aposentadorias e pensões atingiu 13,8% da população, com renda média de R$ 2.697 reais, refletem a influência do envelhecimento populacional e indicam tendência de crescimento contínuo dessa fonte de renda.

Persistência da desigualdade apesar do crescimento da renda média

Embora o rendimento médio tenha alcançado níveis históricos, a desigualdade permanece estável, com o Índice de Gini oscilando levemente de 0,504 para 0,511 entre 2024 e 2025. Os 10% mais ricos concentram 40,3% da massa de rendimentos domiciliares, ganhando em média 13,8 vezes mais que os 40% com menores rendas. O pesquisador Barbosa Filho ressalta que os programas de transferência de renda já atingiram seu limite de eficácia para reduzir a disparidade estrutural, evidenciando a necessidade de novas estratégias para promover equidade.

Perspectivas econômicas para 2026 frente à política monetária restritiva

A projeção para 2026 aponta uma desaceleração do ritmo acelerado de crescimento da renda observado em 2025, influenciada pela política monetária com juros elevados que indica um esfriamento da atividade econômica. Apesar disso, o cenário não aponta para um quadro dramático, mantendo-se a resiliência do mercado de trabalho e evitando aumentos significativos no desemprego, segundo análise do pesquisador da FGV/Ibre.

![Cultivo de milho no Centro-Oeste brasileiro](https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2025/07/2025-07-11T225243Z_1_LYNXMPEL6A0Z0_RTROPTP_4_BRAZIL-CORN_red.jpg?w=1920&quality=70&strip=all)

A expansão do agronegócio no Centro-Oeste tem sido o fator decisivo para a mudança na liderança dos rendimentos regionais, destacando-se como um vetor de desenvolvimento econômico e social para o país.