Andreas Vosskuhle destaca consenso e mudança cultural na corte ao implementar regras em 2018

O código de conduta do Supremo alemão foi criado por consenso para proteger a confiança pública e incentivar transparência e integridade.
A origem do código de conduta do Supremo alemão e o consenso entre juízes
O código de conduta do supremo alemão foi instituído em 2018 durante o mandato do então presidente do Tribunal Constitucional, Andreas Vosskuhle, que liderou a corte de 2010 a 2020. A iniciativa surgiu da necessidade de preservar a confiança da sociedade em um momento em que discussões sobre ganhos adicionais e condutas dos magistrados estavam em pauta. O processo envolveu a criação de uma comissão que promoveu um diálogo extensivo entre os juízes, resultando em um código aprovado por consenso e que respeita a independência judicial.
Impactos culturais e organizacionais do código na corte alemã
A implementação do código promoveu mudanças significativas na cultura interna do tribunal. Vosskuhle destaca que o documento estimulou o espírito de corpo entre os magistrados, incentivando o trabalho coletivo e a construção de confiança mútua. Atividades como cursos e esportes em grupo foram adotadas para fortalecer a união entre as duas turmas da corte, que tradicionalmente funcionavam de forma independente. Além disso, o código reforçou a importância da transparência e integridade, ainda que mantivesse o sigilo em momentos delicados das deliberações para preservar a qualidade das decisões.
Sem punições formais: a sanção social como ferramenta de controle
Diferentemente de modelos que preveem sanções disciplinares, o código de conduta do Supremo alemão não estabelece punições formais para violações. A pressão para o cumprimento das normas vem da sanção social, ou seja, da reputação e do respeito que o magistrado possui perante seus pares e a opinião pública. Segundo Vosskuhle, essa forma de controle é eficaz, pois o juiz que descumpre as regras sofre perda de prestígio e deve se explicar publicamente, o que impacta diretamente sua imagem e autoridade dentro do tribunal.
Comparações com outros modelos internacionais e implicações para o Brasil
O código alemão é frequentemente citado como uma referência para cortes superiores em outros países, incluindo o Supremo Tribunal Federal brasileiro, que enfrenta demandas por regulamentações similares. Andreas Vosskuhle ressalta que, embora o modelo possa servir de inspiração, cada país deve adaptar as regras à sua cultura jurídica e contexto social. Ele observa que, ao contrário do processo voluntário alemão, o código americano foi adotado sob pressão e carece de deliberações conjuntas, o que pode comprometer a confiança na instituição.
Transparência, confiança e o futuro das instituições judiciais
Para Vosskuhle, a adoção do código de conduta é parte de um movimento maior para modernizar instituições do Estado e fortalecer a relação de confiança com a população. Ele destaca que o tempo em que a autoridade era assumida pela hierarquia acabou, e que transparência e responsabilidade são essenciais para que o Judiciário mantenha sua legitimidade. O código, portanto, representa um avanço importante ao formalizar compromissos éticos e incentivar a autogestão entre os juízes, contribuindo para a estabilidade e credibilidade da corte.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP





