Como cobras sobrevivem longos períodos sem se alimentar

Estudo revela explicação genética para jejum extremo em serpentes e impactos evolutivos

Como cobras sobrevivem longos períodos sem se alimentar
Cobra sucuri retratada em estudo sobre jejum prolongado em serpentes

Pesquisa revela que cobras sobrevivem longos períodos sem comer devido à ausência do hormônio da fome grelina.

Entendendo a adaptação genética das cobras para jejum prolongado

O fenômeno pelo qual cobras sobrevivem longos períodos sem se alimentar chamou atenção de cientistas da Universidade do Porto, que publicaram suas descobertas em 2026. Segundo os pesquisadores, a chave para essa capacidade está na ausência do gene responsável pela produção da grelina, o chamado “hormônio da fome”. Essa característica genética faz com que as cobras não recebam o estímulo biológico constante para buscar alimento, o que lhes permite tolerar meses, até um ano, sem comer.

Análise do DNA revela ausência e mutações críticas em serpentes

O estudo envolveu a análise genética de mais de 100 espécies de répteis, como cobras, tartarugas, lagartos e crocodilos. Em todas as cobras examinadas, tanto o gene da grelina quanto o da enzima MBOAT4, que ativa o hormônio, estavam ausentes ou apresentavam mutações que inviabilizam sua função. Essa modificação não é exclusiva das serpentes: camaleões e agamas, lagartos conhecidos por longos jejuns, também apresentam alterações similares, indicando uma adaptação convergente para suportar períodos de escassez alimentar.

Estratégias comportamentais complementam a adaptação metabólica

Além da perda do alarme da fome, as cobras adotam estratégias alimentares específicas. Elas realizam grandes refeições esporádicas, geralmente de presas maiores e de digestão lenta, o que amplia o intervalo entre as necessidades de alimentação. Durante os jejuns, entram em um estado metabólico de baixa atividade, conservando reservas energéticas. Essa combinação de fatores ajuda as serpentes a sobreviver em ambientes onde a disponibilidade de alimentos é imprevisível.

Impactos evolutivos e ambientais dessa adaptação nas cobras

A supressão genética da grelina pode ser vista como uma importante adaptação evolutiva das cobras para habitats com recursos limitados. Essa característica potencializa a sobrevivência das espécies ao reduzir a necessidade constante de buscar alimento, minimizando riscos e gastos energéticos. A pesquisa sugere que esse mecanismo contribuiu para o sucesso evolutivo das serpentes em variados ecossistemas, destacando a complexidade da fisiologia desses répteis.

Possíveis aplicações das descobertas para a saúde humana

Os cientistas ressaltam que compreender como cobras e outros répteis gerenciam jejum extremo pode abrir caminhos para pesquisas na área médica. Em humanos, a grelina desempenha funções importantes no apetite, metabolismo e humor. Entretanto, desvendar os mecanismos que permitem a esses animais dispensar o hormônio da fome pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para doenças metabólicas, como obesidade, e melhorar o conhecimento sobre controle energético e adaptabilidade fisiológica.

Conclusão: evolução e eficiência no controle do apetite em serpentes

A pesquisa recente confirma que cobras sobreviverem meses sem comer está ligada a uma alteração genética que elimina o “alarme da fome” tradicional. Essa adaptação, resultado da evolução, permite um controle energético extremo e eficiência metabólica, características que garantem a sobrevivência desses répteis em ambientes desafiadores. Os estudos futuros poderão explorar como esses mecanismos podem inspirar novas abordagens para a medicina humana e o entendimento da biologia do jejum.

Fonte: noticias.uol.com.br