regulação excessiva e tributação elevada dificultam expansão das rotas aéreas, segundo análise da IATA

Conectividade aérea não recuperou totalmente rotas pré-pandemia, impactada por regulação excessiva e altos impostos, revela análise da IATA.
desafios da conectividade aérea para recuperação pós-pandemia
A conectividade aérea ainda não recuperou o patamar pré-pandemia, segundo dados recentes da Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). Embora o número de passageiros tenha crescido e ultrapassado os níveis anteriores à crise sanitária, o número de rotas permaneceu abaixo do registrado em 2019. Entre 2015 e 2019, o crescimento médio anual das rotas era de 3%, com um pico de 70.174 rotas naquele ano, porém, em 2025, o total caiu para 68.972, com destaque para a América Latina, que viu suas rotas caírem de 4.109 para 3.961. Essa redução preocupa especialistas e atores do setor, que identificam obstáculos estruturais e regulatórios para a expansão da malha aérea.
impacto da cadeia de suprimentos e hábitos dos passageiros na aviação
A crise na cadeia de suprimentos tem sido um entrave significativo para a ampliação das rotas aéreas, devido à entrega reduzida de novas aeronaves para as companhias. Além disso, as alterações nas estratégias comerciais das empresas e mudanças nos hábitos de viagem dos passageiros também influenciam essa dinamicidade. A diminuição da capacidade operacional das companhias restringe a oferta de voos, mesmo diante da demanda crescente. A combinação desses fatores cria um cenário complexo que exige ajustes nas políticas públicas e maior eficiência operacional para reverter a tendência negativa da conectividade.
regulação excessiva como barreira ao crescimento do setor aéreo
Segundo análise da IATA, a regulação excessiva é um dos principais obstáculos para a expansão da conectividade aérea. Em painéis recentes, foi destacado que tanto a União Europeia quanto países da América Latina enfrentam problemas decorrentes de normas que oneram as companhias e não promovem melhorias efetivas. Na UE, o debate sobre os direitos dos passageiros e compensações tem se arrastado, com propostas de aumento do limite para compensações por atrasos que não avançam, causando incertezas e custos elevados para as empresas aéreas. Na América Latina, mais de 113 propostas regulatórias negativas foram identificadas, incluindo limites tarifários e regras sobre bagagem, que pressionam o modelo de negócios das companhias e dificultam a expansão das rotas.
carga tributária elevada e seus efeitos na aviação e conectividade
Outro fator que pesa sobre a conectividade aérea é a elevada carga tributária sobre o setor. Mais de US$ 60 bilhões são arrecadados anualmente em impostos, elevando os preços das passagens e afetando a demanda, especialmente em mercados regionais sensíveis ao preço. Alguns governos têm tomado medidas para aliviar essa pressão, como a suspensão do imposto sobre passageiros na Suécia e a redução parcial na Alemanha. Entretanto, outras nações, como França, aumentaram taxas que impactam negativamente a competitividade das companhias locais. No Brasil, a proposta de cobrança de IVA sobre passagens pode reduzir a demanda em até 30%, segundo a IATA, o que evidência o risco de políticas fiscais que fragilizem a aviação e o turismo.
perspectivas para políticas públicas e setor aéreo na América Latina e Europa
A IATA destaca que os governos devem equilibrar a necessidade de arrecadação com políticas que incentivem a conectividade aérea e o crescimento econômico. Reformas regulatórias e fiscais sensatas podem fomentar o aumento das rotas, melhorar o acesso ao transporte aéreo e contribuir para o desenvolvimento regional. A associação recomenda reduzir a burocracia, flexibilizar regras excessivas, e revisar tributos que desestimulam o setor. A recuperação plena da conectividade aérea dependerá da capacidade dos governos e agentes do setor em trabalhar conjuntamente para superar os entraves atuais, garantindo uma aviação mais resiliente e acessível.





