Conselho do MPF analisa conduta de Gonet em caso Master nesta sexta

Sessão extraordinária pode respaldar procurador-geral e encerrar investigação interna sobre atuação dele

Conselho do MPF analisa conduta de Gonet em caso Master nesta sexta
Procurador-geral da República, Paulo Gonet, em Brasília. Foto: Reuters/Adriano Machado — Foto: Procurador-geral da República, Paulo Gonet, em Brasília  • 11/12/2024 REUTERS/Adriano Machado

O Conselho Superior do Ministério Público Federal analisa nesta sexta-feira se abre investigação sobre a atuação de Paulo Gonet na condução do caso Master.

O Conselho Superior do Ministério Público Federal realiza sessão extraordinária nesta sexta-feira (25) para analisar se deve abrir investigação contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, sobre sua atuação na condução do caso Master.

Fontes consultadas avaliam que não haverá abertura de processo interno e afirmam que a sessão terá intenção de respaldar que não houve infração da lei por Gonet. A análise é de que o resultado fortalecerá o procurador-geral.

A sessão também funciona como resposta ao ministro André Mendonça, que conduzia o caso Master no Supremo Tribunal Federal, mas irritou a cúpula do PGR com a exposição do processo.

Pessoas próximas ao PGR apontam que alguns conselheiros podem explorar um tom de “censura moral” a Gonet. A foto de Gonet ao lado do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fumando charuto em festa em Londres, gera constrangimento para o órgão, mas não aponta necessariamente alguma ilegalidade.

A escalada máxima cogitada de uma ação do Conselho Superior do MPF seria uma advertência contra o procurador. A destituição de um procurador-geral precisa ser aprovada pela maioria absoluta do Senado, em votação secreta. Já a autorização de investigação contra Gonet ficaria a cargo do plenário do STF.

O Conselho Superior do MPF tem ao todo 10 membros, mas Gonet não deve ter poder de voto já que é sobre ele a questão em análise. A sessão extraordinária será presidida pelo vice-presidente do conselho, o subprocurador-geral da República Nicolao Dino, irmão do ministro Flávio Dino. Apesar do parentesco, Nicolao Dino não é visto internamente como necessariamente próximo de Gonet, uma vez que tem pretensões de alçar o posto mais alto da PGR.

O relator do procedimento é o subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino. Em seguida, será aberta a votação aos conselheiros, em ordem reversa de antiguidade.

Gonet é citado por Daniel Vorcaro em ao menos duas trocas de mensagens distintas, incluindo uma entre o ex-banqueiro e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Gonet é aliado na Corte da ala dos ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin.

Caso o procedimento seja aberto, um subprocurador-geral da República seria designado para tocar o processo.