Preço do arroz em R$ 80 pode mudar planos de plantio no Mercosul

Melhora no financiamento e nas expectativas de oferta futura levam produtores a reconsiderar reduções de área inicialmente planejadas

Preço do arroz em R$ 80 pode mudar planos de plantio no Mercosul
Crédito rural ganhou peso na decisão dos produtores sobre área plantada

Valorização do arroz, linhas de crédito ampliadas e melhora nas expectativas de oferta podem levar produtores a revisar reduções de plantio inicialmente planejadas

O mercado de arroz no Mercosul entrou em uma nova fase antes da conclusão do plantio da safra 2026/27, com preços mais firmes e sinais de melhora no financiamento. Segundo Sergio Cardoso, analista da cadeia do arroz, esse movimento pode alterar decisões tomadas pelos produtores quando o cenário era marcado por margens apertadas, descapitalização e crédito escasso e caro.

No Rio Grande do Sul, a primeira intenção divulgada pelo IRGA indicou 861,8 mil hectares, queda de 3,4%, em meio à expectativa de retração ainda maior. Nas últimas semanas, porém, o arroz voltou à faixa de R$ 80 por saca, enquanto as exportações ganharam importância e a percepção sobre a oferta futura começou a mudar.

O crédito também ganhou peso nessa avaliação. No Brasil, as contratações do crédito rural empresarial chegaram a R$ 65,7 bilhões nos dois primeiros meses da safra 2026/27, com a Região Sul liderando em número de contratos. De acordo com Cardoso, isso não elimina as dificuldades de financiamento, mas mostra um ambiente diferente daquele observado quando foram formadas as primeiras intenções de plantio.

No Uruguai, o BROU anunciou aumento de até 20% nas linhas para a safra 2026/27. Além disso, governo, produtores e indústria acertaram um instrumento com potencial de mobilizar cerca de US$ 50 milhões, com financiamento de até US$ 500 por hectare.

A análise ressalta que preço melhor não garante aumento de área e maior oferta de crédito não significa financiamento barato. Ainda assim, a combinação entre valorização do arroz, recursos disponíveis e melhora das expectativas pode levar produtores de Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai a rever parte das reduções planejadas.