Decisão do Banco Central reflete incerteza fiscal, enquanto acordo Mercosul-UE impulsiona exportações em mais de 60% em setembro

Analista aponta que juros afetam produtividade e competitividade do país, exigindo harmonização entre políticas monetária e fiscal para enfrentar desafios globais.
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa de juros nesta terça-feira (5), uma decisão esperada diante do cenário econômico. A manutenção reflete pressões inflacionárias, desaceleração do PIB e volatilidade cambial identificadas na pesquisa Focus.
Segundo a pesquisa Focus divulgada antes da decisão, havia mais de 70% de chance da manutenção dos juros. Os dados apontavam tendência de alta da inflação, desaceleração do PIB e aumento do câmbio, deixando pouco espaço para a continuidade da queda da taxa.
Para analista de Competitividade, a taxa de juros vai além do controle da inflação e da credibilidade do Banco Central. Os juros afetam diretamente a produtividade, a competitividade e a capacidade de crescimento do país, exigindo uma harmonização entre as políticas monetária e fiscal.
“A pesquisa Focus de ontem apontou mais de 70% de chance da manutenção.”
O principal desafio do momento é alinhar a política monetária com a fiscal. A analista ressaltou a necessidade de um sinal do governo sobre o controle das despesas obrigatórias, em linha com a inflação, sem abrir mão das prioridades sociais. Não basta gerenciar apenas a demanda — é preciso atuar sobre a oferta, por meio de investimentos em produtividade e competitividade.
Quatro blocos foram elencados como prioritários para enfrentar os desafios globais. O bloco de energia apresenta custos que subiram mais de 30%. Fertilizantes enfrentam alta acumulada que pode chegar a 20%. Logística e armazenagem sofrem pressão pela volatilidade do petróleo. Investimentos em tecnologia, inovação e inteligência artificial completam a lista.
Segundo o Banco Mundial, há projeção de aumento de 18% na inflação de alimentos para 2026 e 2027, influenciado também por fenômenos climáticos.
O acordo entre o Mercosul e a União Europeia é apontado como a maior oportunidade concreta para o Brasil. As exportações brasileiras cresceram mais de 20% entre janeiro e setembro sob o acordo preliminar. Desde maio, quando o acordo entrou em vigor, o aumento chegou a 30%, e apenas em setembro o crescimento foi superior a 60%.
Além do volume, a importância de elevar o valor agregado das exportações também foi destacada, com menção ao programa EcoInvest.







