Custo do crédito no Brasil alcança patamar recorde desde 2016

Taxas de juros médias sobem a 33,1% ao ano em março, refletindo cenário desafiador para pessoas físicas e economia

Custo do crédito no Brasil alcança patamar recorde desde 2016
Visão ilustrativa do setor financeiro refletindo o aumento do custo do crédito. (Imagem: Shutterstock)

Em março, o custo do crédito no Brasil atinge 33,1% ao ano, maior índice em quase uma década, pressionando famílias e mercado.

Cenário atual do custo do crédito no Brasil em março

O custo do crédito no Brasil atingiu 33,1% ao ano em março, o patamar mais elevado desde outubro de 2016. Esse índice reflete um aumento de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro e 1,9 ponto percentual em doze meses. As pessoas físicas, que são um segmento relevante, pagaram uma taxa média de 38,4% no último mês, o maior valor desde março de 2017, quando chegou a 40,6%. Leonardo Costa, economista do ASA, destaca que essa elevação representa um dos principais desafios para a estabilidade e o crescimento do ciclo de crédito no médio prazo.

Impacto do aumento das taxas na inadimplência e endividamento das famílias

A inadimplência entre as pessoas físicas permaneceu alta, com uma taxa de 7% em março, ligeiramente inferior aos 7,2% de fevereiro, mas ainda assim o maior índice desde o último trimestre de 2012. Além disso, o endividamento das famílias chegou a 49,9% em fevereiro, empatando com o recorde histórico registrado em outubro de 2022. O comprometimento da renda também cresceu, atingindo 29,7%, o maior valor na série histórica do Banco Central. Esses números indicam uma pressão contínua sobre o orçamento das famílias brasileiras e um ambiente de crédito mais restrito e oneroso.

Análise das condições macroeconômicas e perspectivas para o crédito

Segundo Alberto Ramos, diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, as condições do mercado de crédito devem enfrentar desafios nos próximos meses causados pela política monetária restritiva, que eleva o custo dos empréstimos, e pela desaceleração da economia e do mercado de trabalho. Esses fatores podem reduzir a demanda e a oferta de crédito, aumentando a vulnerabilidade do setor financeiro e das famílias.

Papel dos bancos públicos e medidas governamentais na mitigação dos impactos

Apesar do cenário adverso, a atuação mais ativa dos bancos públicos na concessão de crédito e a disponibilização de novas linhas de financiamento patrocinadas pelo governo federal podem amortecer os impactos negativos até o quarto trimestre de 2026, período eleitoral. Essas medidas são vistas como estratégias para estimular o crédito e apoiar o consumo mesmo diante da restrição das condições macroeconômicas.

Análise detalhada das taxas por modalidade de crédito

No segmento de crédito com recursos livres, a taxa média de juros ficou em 48,3% ao ano em março, índice próximo ao de fevereiro e 4,4 pontos percentuais superior ao registrado há um ano, patamar não observado desde outubro de 2017. Para as pessoas físicas, essa taxa média chegou a 61,5% ao ano, mesmo com uma leve redução mensal, mas com alta expressiva anual. Entre as modalidades, as taxas mais elevadas foram as do rotativo do cartão de crédito, em 428,3%, e do parcelamento do cartão, que atingiu 192,1% ao ano. Embora o rotativo tenha apresentado queda em relação ao ano anterior, o parcelamento aumentou em 9,4 pontos percentuais, refletindo maior custo para os consumidores.

Consequências para o consumidor e estratégias para o mercado de crédito

O aumento do custo do crédito no Brasil impacta diretamente o poder de compra das famílias e o consumo. Taxas elevadas elevam o risco de inadimplência e limitam o acesso ao financiamento, podendo desacelerar o crescimento econômico. Para o mercado, o desafio está em equilibrar a rentabilidade e o risco de crédito frente a um cenário macroeconômico adverso, buscando soluções que promovam a sustentabilidade do sistema financeiro e o suporte à economia real.