Defesa de Vorcaro nega fraude em operações do BRB com Banco Master

Advogados do ex-banqueiro pediram revogação da prisão preventiva após depoimento à PF nesta quinta-feira

Defesa de Vorcaro nega fraude em operações do BRB com Banco Master
Ex-banqueiro Daniel Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal. Foto: PF/Diretor do BC — Foto: PF: Diretor do BC disse que projeto de Vorcaro seria "prioridade absoluta"

Defesa do ex-dono do Banco Master negou em depoimento que houve fraude em operações entre BRB e Banco Master e pediu revogação da prisão preventiva.

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro negou em depoimento à Polícia Federal, nesta quinta-feira (15), que houve fraude em operações entre o BRB (Banco de Brasília) e o Banco Master. Os advogados do ex-dono do liquidado Banco Master também pediram a revogação de sua prisão preventiva.

Segundo a defesa, as negociações entre os bancos foram “negócios absolutamente lícitos”, sem gerar prejuízo ao Banco de Brasília. Os advogados sustentam que não houve prejuízo ao BRB ou a seus clientes, afirmando que inexiste a fraude de R$ 12 bilhões, mas sim que a transação gerou resultados positivos ao Banco.

Daniel Vorcaro e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa prestaram depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (15). A nota da defesa foi enviada após essas oitivas.

Em setembro, a Polícia Federal apontou que o BRB transferiu o valor bilionário ao Banco Master após a compra de créditos, que seriam fraudulentos, de uma empresa chamada Tirreno. Segundo a investigação, a proposta seria “viabilizar e promover a liquidez” da instituição financeira, que enfrentava uma crise na época.

De acordo com a PF, o Banco Master precisava captar recursos e simulou a aquisição de carteiras de créditos supostamente originadas pela empresa Tirreno. A corporação afirmou que essa companhia não tinha histórico financeiro compatível com o volume negociado. O Master, então, revendia as carteiras ao BRB.

Uma das supostas compras teria sido de R$ 6,7 bilhões e a outra, colocada como “prêmio”, de R$ 5,5 bilhões. No total, esse valor somava R$ 12,2 bilhões, que foram transferidos entre janeiro e maio de 2025.

A defesa argumenta que a Operação Compliance Zero originou a crise reputacional do BRB, pois “envolveu a instituição num enredo falso de suposta fraude bilionária, abalando a confiança indispensável para regular funcionamento de um banco”. A Operação Compliance Zero combate a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o SFN (Sistema Financeiro Nacional).

Os crimes investigados incluem gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros. A defesa alega que não há “qualquer prova da prática de ilícitos ou de fraude” em relação às operações investigadas. Os advogados pedem o arquivamento dos inquéritos e a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro.