Déficit Comercial Brasil-EUA Cresce 26 Vezes Após Tarifas de Trump em 2025

Impactos do tarifaço e estratégias brasileiras para reverter o quadro em comércio bilateral

Déficit Comercial Brasil-EUA Cresce 26 Vezes Após Tarifas de Trump em 2025
Movimentação comercial entre Brasil e Estados Unidos em meio a tarifações. Foto: AFP

Déficit comercial do Brasil com os EUA multiplicou-se por 26 em 2025 após tarifas impostas pelo governo Trump, afetando exportações brasileiras e incentivando importações americanas.

O déficit comercial entre Brasil e Estados Unidos atingiu um aumento expressivo em 2025, multiplicando-se por 26 vezes em comparação a 2024, após o presidente Donald Trump implementar uma série de medidas tarifárias sobre produtos importados. Essa situação marcou o 17º ano consecutivo em que o saldo comercial foi desfavorável ao Brasil, indicando um cenário complexo para o comércio bilateral.

Contexto do Déficit e Tarifações na Relação Brasil-EUA

As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 6,6% em 2025, totalizando US$ 37 bilhões, enquanto as importações provenientes dos EUA cresceram 11%, alcançando US$ 45 bilhões. O resultado foi um déficit de US$ 7,5 bilhões para o Brasil, muito acima dos US$ 283 milhões registrados no ano anterior.

As tarifas impostas por Trump afetaram diretamente setores estratégicos, como madeira e máquinas, embora outros produtos como petróleo, que é o principal item exportado pelo Brasil aos EUA, tenham apresentado queda devido a fatores de mercado e aumento da produção americana. O impacto das tarifas, portanto, não é o único fator, mas contribuiu significativamente para o desequilíbrio.

Segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a dinâmica econômica brasileira, tradicionalmente importadora de bens de capital em períodos de crescimento, também influenciou o aumento das importações americanas.

Medidas Tarifárias e Ajustes ao Longo de 2025

O governo Trump aplicou inicialmente tarifas de 25% sobre aço e alumínio em fevereiro, seguido de uma tarifa de 50% sobre quase todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto, motivada por questões políticas. Posteriormente, foram concedidas cerca de 700 exceções, protegendo 43% do valor das exportações brasileiras, incluindo derivados de petróleo, ferro-gusa e suco de laranja.

Em movimentos subsequentes, tarifas sobre celulose foram removidas em setembro e, em novembro, foram excluídos da tarifa 40% mais de 200 produtos agrícolas e pecuários, como carnes e café, indicando uma flexibilização parcial do tarifaço.

Estratégias Brasileiras para Minimizar Impactos e Ampliar Cooperação

O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, afirmou que o governo brasileiro mantém negociações para reduzir o impacto das tarifas e avançar em acordos bilaterais. O percentual de produtos taxados em 50% diminuiu de 37% para 22%, enquanto outros 51% estão sujeitos a tarifas de até 10%.

Alckmin destacou que a relação entre os presidentes Lula e Trump é positiva, o que pode favorecer avanços em pautas além do comércio, como parcerias em terras-raras, tecnologia, data centers e energia renovável. O Brasil destaca-se como fornecedor de energia limpa, fator estratégico para a inteligência artificial e desenvolvimento tecnológico.

Serviço e Perspectivas para o Comércio Exterior

  • Redução Tarifária: Continuidade das negociações para diminuir barreiras sobre exportações brasileiras.
  • Diversificação de Produtos: Incentivo à exportação de setores menos afetados pelas tarifas.
  • Parcerias Tecnológicas: Ampliação da cooperação em energia renovável e tecnologia entre Brasil e EUA.
  • Monitoramento Econômico: Acompanhar a dinâmica do mercado petrolífero americano e seus efeitos na balança comercial.

O cenário de 2026 aponta para desafios e oportunidades no comércio bilateral, com ênfase em estratégias diplomáticas e econômicas para equilibrar a balança e fortalecer as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP