Diesel sobe 20% e força transportadoras a revisar contratos antes da reforma tributária

Preço médio do S10 chegou a R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro, segundo dados da TruckPag, impactando margens de operações de frete.

Diesel sobe 20% e força transportadoras a revisar contratos antes da reforma tributária
Preço do diesel S10 chegou a R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro

Preço médio do diesel S10 subiu para R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro, alta de 20,1% ante janeiro, forçando transportadoras a revisar contratos.

O preço médio do diesel S10 nos postos credenciados pela TruckPag chegou a R$ 6,94 na primeira quinzena de outubro, representando alta de 20,1% em relação à média de janeiro, de R$ 5,78, segundo dados da logtech para frotas pesadas.

A oscilação do combustível reforça pressões nos custos operacionais do transporte rodoviário de cargas, especialmente em cenário de transformações tributárias. Em setembro, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) atualizou a tabela de frete mínimo, com novos valores em vigor desde 30 de setembro, utilizando como referência o preço médio nacional de R$ 7,33 por litro do diesel S10, conforme dados da ANP.

Os pisos de frete variam conforme carga, distância, número de eixos e tipo de contratação. A política nacional prevê revisões extraordinárias quando a variação do preço médio do diesel S10 ultrapassa 5%, além das atualizações ordinárias dos coeficientes.

Transportadoras que mantêm contratos de médio e longo prazo enfrentam desafio de estabelecer mecanismos claros para absorver ou repassar oscilações relevantes dos custos operacionais. Para Rafael Brito, CEO da Rumo Brasil, consultoria especializada em gestão tributária, financeira, jurídica e contábil para transportadoras, o cenário ganha relevância especial diante da transição para o novo sistema tributário.

“O diesel é um dos principais componentes do custo de uma operação de transporte e sua variação pode alterar rapidamente a margem de um contrato. Quando temos, ao mesmo tempo, mudanças nos custos operacionais e uma transformação na estrutura tributária, não dá para tratar a formação do preço como algo estático. Os contratos precisam prever como essas mudanças serão absorvidas ao longo da sua vigência.”

A atualização da ANTT demonstra como as oscilações do combustível refletem diretamente na formação do piso de frete. Segundo Brito, quando o preço do diesel sobe, a empresa precisa determinar quanto desse aumento pode ser absorvido pela operação e quanto deve ser repassado ao contrato, considerando rota, características da carga e estrutura de custos específica de cada operação.