Especialistas destacam que recuo da moeda depende de fatores externos e internos, com volatilidade e riscos eleitorais no horizonte

Dólar abaixo de R$ 5 é possível em 2026, mas cenário envolve volatilidade, riscos geopolíticos e eleições no Brasil, dizem analistas.
Contexto atual do dólar e impacto do cessar-fogo entre EUA e Irã
O dólar abaixo de R$ 5 voltou a ser um tema de atenção no mercado financeiro após a moeda atingir R$ 5,10 em 8 de fevereiro de 2026, a menor cotação em quase dois anos. Esse movimento foi influenciado pelo alívio global proporcionado pelo acordo de cessar-fogo temporário entre Estados Unidos e Irã, que reduziu as tensões geopolíticas e gerou uma reprecificação dos ativos. Bruno Shahini, especialista da Nomad, destaca que o real tem mostrado resiliência, mesmo diante de um cenário global volátil.
Fatores externos que podem favorecer a queda do dólar
Especialistas indicam que o cenário externo é determinante para a valorização do real e a possível queda do dólar abaixo de R$ 5. A expectativa de que o preço do petróleo mantenha um prêmio nos próximos meses beneficia o Brasil como exportador, impactando positivamente a balança comercial e aumentando a oferta de dólares na economia. Além disso, o fluxo estrangeiro para mercados emergentes e o diferencial de juros continuam como elementos fundamentais para sustentar a moeda nacional.
Desafios internos: risco eleitoral e cenário fiscal incerto
No âmbito doméstico, a queda do dólar depende de avanços na disciplina fiscal, redução de incertezas institucionais e manutenção de juros atrativos para investidores estrangeiros. A economista Patrícia Palomo ressalta que uma combinação de confiança e estabilidade política é necessária para consolidar essa tendência. Entretanto, o ano eleitoral de 2026 traz volatilidade e incertezas, como aponta Marco Harbich da Gordon Capital, indicando que oscilações no câmbio podem ser influenciadas por eventos políticos, inclusive no exterior.
Análise da volatilidade cambial e perspectivas para o curto e médio prazo
Apesar do alívio recente, o mercado permanece atento a possíveis rupturas no acordo de cessar-fogo e a fatores de instabilidade global. O recuo do dólar nesta fase é visto como momentâneo e sujeito a reversões rápidas caso haja agravamento das tensões geopolíticas. Danilo Coelho destaca que o cenário fiscal e as eleições presidenciais são obstáculos para uma queda expressiva e sustentável do dólar, com potencial de volatilidade acentuada durante o ano.
Expectativas e estratégias dos investidores diante do cenário cambial incerto
O mercado ainda não incorporou integralmente os efeitos do risco eleitoral na cotação do dólar, o que deve aumentar a partir do segundo semestre de 2026, conforme o “trade eleitoral” se intensifique. Investidores monitoram atentamente a evolução dos fatores externos e internos para ajustar suas estratégias, buscando equilíbrio entre exposição ao risco e oportunidades de ganhos diante das oscilações do câmbio. A conjuntura atual exige cautela, com atenção especial aos indicadores econômicos, decisões políticas e eventos geopolíticos que podem impactar a trajetória da moeda nos próximos meses.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Ilustração de Benjamin Franklin





