Eduardo Bolsonaro monitora diplomatas do Itamaraty para possível cargo de chanceler

Ex-deputado mapeia corpo diplomático caso irmão Flávio vença eleição presidencial; aliados temem posicionamento ideológico

Eduardo Bolsonaro monitora diplomatas do Itamaraty para possível cargo de chanceler
Eduardo Bolsonaro em foto de 14 de agosto de 2025. Foto: Reuters/Jessica Koscielniak — Foto: Eduardo Bolsonaro  • 14/08/2025REUTERS/Jessica Koscielniak

Eduardo Bolsonaro mapeia corpo diplomático do Itamaraty em preparação para possível cargo de chanceler caso irmão vença eleição

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro está mapeando o corpo diplomático do Itamaraty para saber “quem é quem” e “quem faz o que”, segundo apurou a CNN. A ação integra preparativos para uma possível indicação ao cargo de ministro das Relações Exteriores.

Eduardo é cotado para chefiar o Ministério das Relações Exteriores caso o irmão Flávio Bolsonaro vença a disputa pelo Palácio do Planalto nas próximas eleições. O candidato à Presidência estuda e gosta da ideia de transformar o irmão em chanceler, conforme informações da campanha.

Entretanto, Eduardo enfrenta resistência de parcela da campanha. Aliados mais ao centro avaliam que Flávio como chanceler poderia deflagrar uma crise desnecessária já na largada do novo governo. Esses setores temem que Eduardo, como ministro, pudesse adotar posicionamento ideológico e belicoso, o que prejudicaria as relações do Brasil com alguns países.

O entorno de Eduardo apresenta visão diferente sobre os objetivos da gestão. Segundo aliados próximos, a ideia seria se aproximar dos Estados Unidos, mas manter boa relação com parceiros estratégicos, como a China. A estratégia envolve remodelar a estrutura do ministério.

“A ideia seria tirar de postos de comando o que chamam de ‘diplomatas burocratas’ e transformar o Ministério das Relações Exteriores em uma ‘máquina de fazer negócios’ para o Brasil.”

Eduardo Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo. A condenação ocorreu por supostamente articular junto ao governo de Donald Trump medidas contra autoridades brasileiras. Ele também foi acusado de tentar influenciar o resultado do julgamento de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na ação sobre tentativa de golpe.

O contexto de uma possível nomeação de Eduardo para o Itamaraty ocorre em momento de definição das candidaturas presidenciais para 2026. As divergências internas na campanha sobre a escolha refletem debates mais amplos sobre o rumo da política externa brasileira e o perfil de seus principais tomadores de decisão.