Fenômeno climático pressiona safras em principais regiões produtoras e traz desafios para o mercado agrícola

O avanço do El Niño pode alterar condições climáticas e comprometer a safra global de café em 2026 e 2027.
O avanço do El Niño e suas projeções para o mercado agrícola global
El Niño produção café é um tema de crescente atenção entre especialistas e agentes do agronegócio neste ano. Segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration, há cerca de 60% de probabilidade de ocorrência do fenômeno entre maio e julho de 2026, com possibilidade de continuidade até o início de 2027. Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, alerta para os riscos climáticos elevados que as commodities agrícolas, especialmente o café, poderão enfrentar com esse cenário.
Impactos climáticos do El Niño nas principais regiões produtoras de café
Os modelos climáticos indicam aquecimento das águas do Oceano Pacífico, especialmente na região Niño 3.4, com anomalias de temperatura que podem superar 1,5°C entre outubro e novembro de 2026. Se esses níveis se mantiverem consecutivamente, o fenômeno será oficialmente caracterizado e poderá apresentar maior intensidade. Isso alterará as condições climáticas nas regiões produtoras, como América Central e do Sul, Sudeste Asiático e África Oriental, afetando o desenvolvimento das plantas de café e o regime de chuvas, com períodos prolongados de calor e variações hídricas que desafiam a estabilidade das safras.
Desafios específicos para as safras de café na América Central e do Sul
Na América Central, o El Niño tende a provocar temperaturas mais elevadas e redução das chuvas entre julho e agosto, período crucial para o amadurecimento dos frutos. Países como a Colômbia podem sofrer alterações no regime de precipitações, impactando tanto a safra principal quanto a intermediária. O calor excessivo e a falta de chuva comprometem o ciclo produtivo, podendo reduzir a produtividade e afetar a qualidade do café produzido.
Variações regionais dos efeitos do El Niño na África Oriental e Ásia
Na África Oriental, os efeitos do fenômeno são heterogêneos. A Etiópia pode experimentar uma redução das chuvas em parte do ciclo agrícola, seguida de excesso hídrico no período de colheita, enquanto Uganda tende a registrar precipitações acima da média, aumentando o risco de eventos climáticos extremos. Já no Sudeste Asiático e na Índia, a expectativa é de condições mais quentes e secas, o que pode prejudicar as futuras safras, pressionando ainda mais a oferta global.
Perspectivas para o Brasil e o mercado global de café
No Brasil, apesar da previsão inicial de uma safra elevada para o ciclo 2026/27, o El Niño pode reduzir o risco de geadas no inverno, mas eleva as preocupações com o desenvolvimento da safra 2027/28. Temperaturas mais altas durante fases críticas como floração e enchimento dos grãos, assim como possíveis alterações no regime de chuvas, poderão comprometer a qualidade e quantidade da produção. O cenário climático, portanto, pode limitar correções mais expressivas nos preços do café no final do ano, impactando o mercado global e exigindo estratégias de adaptação por parte dos produtores e investidores.
Fonte: www.agrolink.com.br






