El Niño muito forte pode intensificar secas no Norte e Nordeste até 2027

Painel de instituições prevê temperaturas 2,5°C acima da média entre novembro e janeiro, aumentando risco de queimadas na Amazônia

El Niño muito forte pode intensificar secas no Norte e Nordeste até 2027
Fenômeno deve provocar diferenças na distribuição das chuvas pelo país. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Fenômeno climático deve ganhar intensidade até primeiro trimestre de 2027 e pode ser um dos mais fortes desde 1950

O fenômeno El Niño deve ganhar intensidade nos próximos meses e pode alcançar níveis muito fortes no fim de 2026. A previsão é de que o evento climático continue até, pelo menos, o primeiro trimestre de 2027, com possibilidade de se tornar um dos mais intensos desde 1950.

As projeções foram divulgadas nesta quinta-feira (29) pela quinta edição do boletim do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), as temperaturas da superfície do mar em áreas do Pacífico Central e Leste já apresentaram anomalias superiores a 3°C. Para o trimestre entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, a previsão indica temperaturas mais de 2,5°C acima da média histórica.

A intensificação do El Niño deve provocar diferenças na distribuição das chuvas pelo país. A previsão para novembro, dezembro e janeiro aponta maior volume de precipitação na Região Sul e em partes do Sudeste e do Centro-Oeste. Por outro lado, grande parte do Norte e áreas do Nordeste e do Centro-Oeste podem registrar chuvas abaixo da média.

As temperaturas também devem ficar mais elevadas do que o normal em quase todo o território nacional, principalmente no Norte. No Rio Grande do Sul, a tendência é diferente, com possibilidade de temperaturas abaixo da média durante o período.

O boletim aponta agravamento da seca em áreas do Nordeste e do Norte. Dados parciais de outubro mostram que 68 municípios foram classificados em situação de seca extrema e outros 232 em seca severa. A combinação de pouca chuva e temperaturas elevadas aumenta a preocupação com a propagação de queimadas, especialmente na Região Norte.

Apesar da expectativa de redução dos focos de incêndio em novembro, a falta de precipitação pode dificultar esse processo. As instituições também alertam para possíveis impactos na agricultura, no abastecimento de água e no transporte fluvial em áreas da Amazônia.