Tribunal inicia julgamento em massa envolvendo homicídios, extorsões e estado paralelo entre 2012 e 2022

El Salvador julga 486 supostos líderes da Mara Salvatrucha por 47 mil crimes cometidos entre 2012 e 2022, em caso que envolve homicídios e extorsões.
El Salvador julga mais de 400 supostos líderes de gangues em caso histórico
El Salvador iniciou em 21 de abril de 2026 um julgamento em massa de 486 supostos líderes da Mara Salvatrucha, conhecida como MS-13, envolvendo 47 mil crimes cometidos entre 2012 e 2022. Este processo judicial representa um marco no combate à criminalidade no país. As autoridades afirmam que os réus foram responsáveis por homicídios, feminicídios, extorsão, tráfico de armas e desaparecimentos forçados. O promotor-chefe do caso detalhou que as acusações incluem também rebelião, com a tentativa de estabelecer um estado paralelo por meio do domínio territorial da gangue.
Análise das acusações e provas apresentadas pela Promotoria salvadorenha
A Promotoria apresentou provas robustas, como autópsias, análises balísticas e depoimentos de testemunhas, para sustentar as acusações contra os réus. Cada um deles pode ser condenado a até 245 anos de prisão, caso seja considerado culpado de todos os crimes imputados. Entre os eventos mais graves, estão ordens para assassinatos que ocorreram durante o fim de semana de 25 a 27 de março de 2022, período identificado como o mais violento no pós-guerra do país.
Impactos do estado de emergência decretado para conter violência das gangues
Em resposta à onda de assassinatos, o Congresso salvadorenho aprovou um estado de emergência nacional, apoiado pela maioria pró-governo. Desde então, a medida tem sido prorrogada mensalmente e permitiu que as forças de segurança realizassem mais de 91.500 detenções. Apesar do sucesso na redução dos homicídios, a medida tem sido alvo de críticas severas por parte de juristas internacionais e organizações humanitárias, que apontam para abusos generalizados de direitos humanos, incluindo tortura, desaparecimentos forçados e mortes em custódia.
Consequências para o sistema prisional e direitos humanos em El Salvador
O estado de emergência provocou superlotação de 238% nas prisões do país, elevando a pressão sobre um sistema já fragilizado. Segundo dados oficiais, houve 513 mortes de detentos sob custódia estatal. Organizações humanitárias denunciam condições precárias e violação de direitos fundamentais, o que coloca o governo sob escrutínio internacional. A tensão entre a necessidade de segurança pública e o respeito aos direitos humanos permanece um dos maiores desafios do país.
Redução dos índices de homicídio e desafios futuros no combate às gangues
O governo do presidente Nayib Bukele destaca uma queda significativa na taxa de homicídios, que segundo dados oficiais, caiu de 7,8 por 100 mil habitantes em 2022 para 1,3 em 2025. A administração atribui esse resultado às medidas de segurança implementadas, incluindo o rigoroso estado de emergência e o combate judicial aos líderes das gangues. Entretanto, especialistas apontam para a necessidade de políticas complementares focadas em prevenção social e fortalecimento das instituições para garantir uma paz sustentável no país.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: Reuters





