Estudo do CLP revela que crescimento da renda é comprometido por dívidas e juros elevados que pressionam orçamento doméstico

A renda recorde dos brasileiros em 2026 é amplamente consumida pelo endividamento das famílias, que atinge níveis históricos segundo estudo do CLP.
O impacto do endividamento das famílias diante da renda recorde em 2026
O endividamento das famílias brasileiras está consumindo a renda recorde alcançada no trimestre encerrado em janeiro de 2026, segundo análise do Centro de Liderança Pública (CLP). Embora o mercado de trabalho registre crescimento no número de ocupados e na renda média real, os ganhos são amplamente comprometidos pelo pagamento de dívidas e juros, configurando um cenário de estagnação financeira para a maior parte da população.
Daniel Duque, head de Inteligência Técnica do CLP, destaca que esse equilíbrio precário entre emprego e endividamento representa não só um desafio econômico, mas um desgaste político, já que o crescimento salarial não tem se traduzido em aumento da sensação de prosperidade.
Dinâmicas do crédito consignado privado e seus efeitos no comprometimento da renda
O estudo aponta que o crescimento das concessões de crédito consignado privado, impulsionado pelo novo modelo do Crédito do Trabalhador, teve um salto de 52% em março de 2026 em relação ao mês anterior. Essa modalidade, apesar de oferecer taxas inferiores às do cartão e crédito pessoal, tem elevado o estoque total de dívidas das famílias. Dados indicam que, após a contratação do consignado, o comprometimento da renda salta de 28% para 38% em 11 meses, mostrando que a substituição de dívidas caras por outras menos onerosas não está reduzindo o endividamento total.
Relação entre política fiscal, alta dos juros e sustentabilidade econômica
A análise do CLP vai além do orçamento doméstico, enfatizando que a economia brasileira tem mantido a expansão por meio do crescimento da despesa pública e do crédito ao consumo. Em 2025, a despesa primária federal cresceu 12,9% em termos reais, enquanto a taxa Selic permaneceu elevada, chegando a 14,5% em 2026, refletindo o esforço do Banco Central para conter a inflação.
Este cenário resultou em juros do crédito para pessoas físicas próximos a 61,5% ao ano, mantendo a inadimplência das famílias em alta (5,3%). O limite fiscal do governo também está se aproximando, com a dívida bruta projetada para alcançar 87% do PIB em 2027, restringindo a capacidade de ampliação dos gastos públicos.
Recomendações do CLP para enfrentar os desafios do endividamento e fiscal
O relatório do CLP defende o controle rigoroso do crescimento das despesas públicas para possibilitar a redução das taxas de juros e evitar o estímulo excessivo ao crédito familiar. Além disso, sugere medidas estruturais, como a venda de ativos públicos subutilizados, para reduzir a dívida estatal e liberar recursos para investimentos reais.
Essas medidas são apresentadas como essenciais para superar o ciclo atual de gasto, crédito, consumo e emprego, que embora tenha proporcionado tempo de crescimento, não assegura a sustentabilidade econômica a médio e longo prazo.
Perspectivas e desafios para a política econômica brasileira em 2026
O cenário apresentado pelo CLP evidencia que a retomada econômica via emprego e renda enfrenta obstáculos significativos devido ao endividamento crescente das famílias e à pressão fiscal. A continuidade das taxas de juros elevadas e o aumento da inadimplência indicam a necessidade de políticas públicas que promovam maior equilíbrio entre crescimento econômico, controle do crédito e sustentabilidade fiscal.
A política econômica brasileira em 2026 encontra-se diante do desafio de conciliar a necessidade de estimular a atividade econômica com a urgência de preservar a saúde financeira das famílias e do Estado, evitando que o endividamento comprometa ainda mais o progresso social e econômico do país.






