Enel tenta reverter crise contratual em SP com apelo aos deputados

A concessionária enfrenta pressão após apagão e cobranças da Prefeitura.

Enel tenta reverter crise contratual em SP com apelo aos deputados
Enel enfrenta crise contratual em São Paulo. Foto: Painel

A Enel busca apoio político para evitar a perda de contrato em São Paulo após apagão.

A crise enfrentada pela Enel em São Paulo ganhou novos contornos após um apagão que afetou mais de 2 milhões de imóveis. Com a pressão crescente para a perda de seu contrato, a empresa decidiu tomar medidas drásticas, enviando um ofício aos 94 deputados estaduais e uma mensagem ao ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, na qual busca justificar suas ações e pedir apoio político.

A batalha pela manutenção do contrato

A Enel, que assumiu a concessão em 2018, se vê em uma situação delicada. O ministro Silveira anunciou a possibilidade de ruptura do contrato, o que fez a empresa reagir rapidamente. No ofício, a Enel argumenta que emitiu mais de 15 mil laudos sobre o risco de queda de árvores e que apenas 74 árvores foram efetivamente cortadas. A companhia também se comprometeu a contratar 1.600 profissionais até 2027 e investir no aterramento de fios, o que, segundo ela, ajudaria a prevenir futuros apagões.

Divergências com a Prefeitura

A gestão do prefeito Ricardo Nunes, por sua vez, acusa a Enel de não ter cumprido com suas obrigações de podas, afirmando que a empresa só conseguiu realizar 11% do que havia prometido. Este conflito de narrativas se intensificou após a cidade registrar 438 quedas de árvores durante uma tempestade em dezembro de 2025, com apenas 3 delas listadas como risco pela Enel.

A Prefeitura defende que a responsabilidade pela poda das árvores que afetam a fiação elétrica é da Enel, enquanto a gestão de árvores em áreas públicas é de sua competência. Essa divisão de responsabilidades tem sido um ponto de tensão entre as partes. A Enel tenta justificar suas ações, enquanto a Prefeitura se mantém firme em sua crítica, afirmando que a falta de execução das podas contribui para a crise energética que a cidade enfrenta.

Contexto histórico

A concessão da Enel, anteriormente Eletropaulo, foi parte de um plano de desestatização aprovado em 1996, e desde então a companhia tem enfrentado críticas sobre sua gestão, incluindo uma CPI na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) em 2023, que apontou falhas na operação e na comunicação com os consumidores. O deputado Thiago Auricchio, que presidiu a CPI, destaca que a empresa precisa melhorar sua gestão para evitar que eventos climáticos se transformem em crises prolongadas.

Diante dessa situação, a Enel busca reverter a crise atual com um apelo aos deputados e ao ministério, na esperança de que a pressão política possa ajudar a manter o contrato e melhorar sua imagem pública em um momento crítico.

Fonte: www1.folha.uol.com.br