Estratégia dos ‘Mortos-Vivos’ e o Impacto nas Novelas da Globo em 2026

Reaparecimento de personagens supostamente mortos é recurso frequente para aumentar audiência no folhetim brasileiro

Personagens supostamente mortos retornam para movimentar tramas das novelas da Globo, uma estratégia que visita clássicos e evidencia desafios na teledramaturgia em 2026.

O fenômeno da volta de personagens dados como mortos nas novelas da Globo tem se mostrado uma ferramenta recorrente para impulsionar a audiência em momentos estratégicos. Em 2026, o caso mais recente foi o retorno do personagem Rogério, interpretado por Eduardo Moscovis na novela “Três Graças”. Após ser dado como morto em um acidente de barco, Rogério reaparece para desmascarar os planos da vilã Arminda (Grazi Massafera) e seu sócio Santiago Ferette (Murilo Benício), movimentando o enredo e virando um dos assuntos mais comentados nas redes sociais.

O Contexto das Voltas Inesperadas nas Novelas

Essa prática não é inédita e faz parte do repertório melodramático consolidado na teledramaturgia brasileira. Casos emblemáticos como o reaparecimento da icônica Odete Roitman (Deborah Bloch) no remake de “Vale Tudo”, que voltou à cena mesmo após ser baleada, e o enredo em “Dona de Mim”, no qual Ellen (Camila Pitanga) forjou a própria morte, exemplificam essa tradição. Em “Êta Mundo Melhor!”, a personagem Sandra (Flavia Alessandra) ressurgiu como Baronesa Deschamps em busca de vingança, reforçando a popularidade desse recurso.

Segundo o doutor em Comunicação pela ECA-USP Lucas Martins, essa estratégia serve para revitalizar a trama em momentos em que a audiência pode estar em queda, proporcionando reviravoltas que surpreendem e engajam o público. Ele ressalta que, em alguns casos, o retorno já é planejado no roteiro inicialmente, como parece ter ocorrido em “Três Graças”. Contudo, a frequência desse expediente demanda maior atenção e curadoria para evitar a perda de originalidade e o desgaste narrativo.

Estratégias e Cuidados na Produção das Novelas

Recurso narrativo: Utilizado para criar suspense e reverter situações aparentemente definitivas.
Planejamento de roteiro: Importância de definir previamente a volta dos personagens para manter coerência.
Curadoria e direção: Necessidade de supervisão rigorosa para evitar repetição excessiva e perda de frescor nas histórias.
Concorrência com séries: Crescimento das séries verticais exige inovação e cuidado na teledramaturgia tradicional.

Serviço e Reflexões sobre a Teledramaturgia Atual

A prática dos “mortos-vivos” nas novelas da Globo em 2026 é um indicativo das adaptações da teledramaturgia frente às novas demandas de audiência e competição com formatos contemporâneos. Para o público e profissionais do setor, fica o convite à reflexão sobre a necessidade de equilibrar tradição e inovação, garantindo histórias envolventes sem cair em clichês desgastados.

A temporada atual evidencia que, embora o recurso seja eficaz para atrair a atenção momentânea, o desafio está em manter a qualidade e a criatividade para que as tramas continuem relevantes e dinâmicas, sem depender exclusivamente de artifícios já muito utilizados.