Decisão do senador do PL provoca divisão em ambos os partidos sobre estratégia eleitoral para o segundo turno.

Flávio Bolsonaro anuncia voto favorável ao fim da escala 6×1, provocando divisão no PL e PT sobre impactos na campanha presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, votará a favor do fim da escala 6×1. A decisão provocou avaliações divergentes entre apoiadores e críticos do presidenciável.
Uma ala do PL considera o movimento uma “jogada de mestre”, ao permitir que Flávio dispute com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o protagonismo de uma das principais bandeiras da campanha petista. A mudança de posição também tira o candidato da defensiva e dificulta a estratégia governista de apresentá-lo como contrário aos interesses dos trabalhadores.
Integrantes do partido avaliam, porém, que a decisão pode representar um tiro no pé. Segundo essa avaliação, a eventual aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) também seria contabilizada como uma vitória política de Lula.
No PT, as avaliações também se dividem. O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) classifica a mudança de posição do senador como oportunista e acusa o presidenciável de estelionato eleitoral. O parlamentar demonstra preocupação com a possibilidade de o PL tentar flexibilizar o conteúdo da PEC depois das eleições. De acordo com Correia, o apoio anunciado agora não necessariamente representa um compromisso com a manutenção das regras em discussão.
Outros integrantes do PT enxergam uma vitória da estratégia governista, enquanto alguns temem que Flávio consiga neutralizar o discurso eleitoral do presidente.
O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos), teve papel central na movimentação política. Segundo Cleitinho, ele convenceu o bolsonarista a votar favoravelmente ao fim da escala 6×1. A declaração despertou reações na esquerda, que, no primeiro momento, chegou a avaliar que a atuação do governador eleito foi benéfica para Lula.
Com o anúncio de Flávio, Cleitinho reforçou a percepção de que a decisão foi influenciada por cálculos políticos para o segundo turno.






