Relatório do USDA eleva estoques dos EUA e globais para 2025/26 e 2026/27, pressionando preços do milho na Bolsa de Chicago

Futuros do milho recuam quase 2% em Chicago após USDA revisar para cima estoques dos EUA e globais para as safras 2025/26 e 2026/27.
Futuros do milho recuam quase 2% em Chicago após divulgação do relatório USDA nesta quinta-feira 11
Os futuros do milho na Bolsa de Chicago (CBOT) registraram quedas significativas nesta quinta-feira (11), com desvalorizações próximas a 2%. A análise do cenário indica que a keyphrase “futuros do milho” esteve no centro das atenções, em razão do relatório WASDE divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Ben Potter, analista do site Farm Futures, ressaltou que o documento apresentou uma oferta ampla que surpreendeu negativamente o mercado, impulsionando uma onda de vendas técnicas. Além disso, a queda nos preços do petróleo contribuiu para pressionar os contratos futuros do milho.
Revisão do USDA eleva estoques finais dos EUA para as safras 2025/26 e 2026/27
O USDA divulgou que o estoque final da safra 2025/26 dos Estados Unidos atingirá 54,49 milhões de toneladas, um número acima das expectativas do mercado, que apontavam para cerca de 54,31 milhões. Este é o maior volume em sete anos, indicando uma maior disponibilidade do produto. Para a safra 2026/27, os estoques finais foram projetados em 49,79 milhões de toneladas, também superiores às previsões anteriores. Tais revisões impactaram diretamente os preços futuros, pois a maior oferta tende a reduzir o valor do milho no mercado.
Estoques globais de milho são revisados para cima, reforçando pressão sobre preços
Além dos Estados Unidos, o relatório do USDA elevou as estimativas globais para os estoques finais da safra 2026/27, passando de 277,54 milhões para 281,22 milhões de toneladas. Este número excede a média esperada pelo mercado, o que mantém a oferta global ampla e contribui para o comportamento baixista dos futuros do milho. A dinâmica internacional do mercado de milho, portanto, mostra forte influência das revisões do USDA e das condições macroeconômicas, como os preços do petróleo.
Desempenho dos contratos futuros na Bolsa de Chicago na quinta-feira 11
Os contratos futuros do milho apresentaram as seguintes cotações e variações:
Julho/26: US$ 4,11 por bushel, queda de 7,25 pontos (-1,73%)
Setembro/26: US$ 4,20 por bushel, baixa de 7,75 pontos (-1,81%)
Dezembro/26: US$ 4,39 por bushel, perda de 7,25 pontos (-1,62%)
Março/27: US$ 4,54 por bushel, queda de 7,50 pontos (-1,63%)
Esses números refletem a forte pressão vendedora no mercado, em especial nos vencimentos de curto e médio prazo.
Mercado brasileiro acompanha tendências internacionais com pressões nos preços do milho
No Brasil, os futuros do milho também registraram movimentações negativas na quinta-feira, seguindo as oscilações internacionais. A Conab revisou para baixo a produção do milho safrinha, reduzindo-a para 107,86 milhões de toneladas, contra 108,445 milhões na previsão anterior de maio. Embora a quebra da safra em algumas regiões possa oferecer suporte aos preços, a pressão externa e o estoque global elevado mantêm os valores sob tensão.
As cotações dos contratos futuros na Bolsa Brasileira (B3) ficaram assim:
Julho/26: R$ 64,14 (-0,70%)
Setembro/26: R$ 66,46 (-0,51%)
Janeiro/27: R$ 73,10 (-0,04%)
Março/27: R$ 75,05 (+0,08%)
Preços no mercado físico brasileiro apresentam variações regionais nesta quinta-feira
No mercado físico, a saca de milho teve queda em várias regiões, conforme levantamento independente. Houve valorização apenas em Sorriso (MT), enquanto locais como Ubiratã (PR), Marechal Cândido Rondon (PR), Eldorado (MS) e Cândido Mota (SP) registraram desvalorizações. Essas oscilações refletem as condições locais de oferta e demanda, além da influência dos preços futuros e das previsões agrícolas.
Perspectivas e impactos para o agronegócio nacional e internacional
A revisão do USDA e a consequente queda dos futuros do milho em Chicago indicam um cenário de maior oferta global, que pode limitar ganhos expressivos nos preços no curto prazo. Para o mercado brasileiro, a redução na produção da safrinha cria expectativas de suporte aos preços, mas o ambiente externo e os estoques elevados podem equilibrar essa pressão. O agronegócio deve acompanhar de perto os próximos relatórios e fatores macroeconômicos, como o preço do petróleo, para ajustar estratégias de comercialização e plantio.
Fonte: www.noticiasagricolas.com.br





