Especialistas destacam impacto econômico e ambiental com a elevação da proporção de etanol anidro no combustível veicular ainda neste semestre

O governo estuda aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, intensificando a demanda por biocombustíveis e reduzindo importações.
Contexto e anúncio do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina
O governo brasileiro estuda o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, conforme anunciado pelo Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para o primeiro semestre de 2026. Segundo o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado, essa elevação representa um acréscimo significativo na demanda por etanol anidro, com impactos econômicos e energéticos. A proposta acontece em um momento estratégico, coincidindo com o início da safra de cana-de-açúcar, possibilitando às usinas ajustarem o mix produtivo para atender à nova demanda.
Impactos econômicos da elevação da mistura de etanol anidro
Cada ponto percentual adicional na mistura corresponde a cerca de 840 milhões de litros a mais de etanol anidro consumido em um ano. Com a elevação proposta de dois pontos percentuais, o mercado poderá absorver aproximadamente 1,68 bilhão de litros extras. Somado ao aumento implementado em agosto de 2025, quando a mistura subiu de 27% para 30%, o incremento total chega a cerca de 4,2 bilhões de litros anuais. Esse aumento pode alterar as projeções de produção de anidro, que inicialmente eram de 11,5 bilhões de litros, para patamares próximos a 14 a 15 bilhões de litros.
Alterações no mix de produção de cana-de-açúcar
De acordo com Muruci, a mudança na demanda deve levar as usinas a direcionar cerca de 54% da cana-de-açúcar para a produção de etanol nesta safra, um aumento considerável frente aos 46% do ciclo anterior, quando a produção de açúcar ainda era mais rentável. O cenário é impulsionado pela vantagem de preço estimada entre 30% e 35% a favor do etanol sobre o açúcar, invertendo a lógica tradicional do setor. A redução na oferta de açúcar projetada pode impactar também as exportações do produto.
Benefícios ambientais e segurança energética
Além dos efeitos econômicos, o aumento da mistura de etanol anidro contribui para a ampliação do uso de combustível renovável e menos poluente, favorecendo a sustentabilidade ambiental. A medida fortalece a segurança energética do país ao reduzir a dependência da gasolina importada. O crescimento da oferta de etanol no mercado equivale a pouco mais de um mês do consumo nacional de gasolina, podendo reduzir significativamente a demanda por combustíveis fósseis.
Projeções futuras para o setor sucroenergético
A Safras & Mercado projeta que a produção de etanol anidro deve alcançar entre 14 e 15 bilhões de litros, enquanto o hidratado pode situar-se entre 18 e 19 bilhões de litros. Já a produção de açúcar deverá recuar para algo entre 37 e 38 milhões de toneladas. Embora o aumento da oferta possa pressionar os preços do etanol no curto prazo, a expectativa para o médio e longo prazo é de valorização sustentada pela demanda crescente e pela mudança no perfil de consumo de combustíveis.
Desafios e perspectivas para o mercado de combustíveis
O planejamento do governo para aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina reflete uma estratégia de fortalecimento da indústria nacional de biocombustíveis e da matriz energética brasileira. O ajuste do mix produtivo requer coordenação entre usinas, distribuidoras e órgãos reguladores para garantir a estabilidade do mercado. O cenário de preços do petróleo e do açúcar, além das condições climáticas que afetam a safra de cana, também devem ser monitorados para assegurar o sucesso da política e o equilíbrio entre oferta e demanda.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br
Fonte: combustíveis • Ilustração gerada por IA





