Coletivos armados intensificam controle nas ruas e aumentam repressão na capital venezuelana

A presença crescente de grupos paramilitares pró-governo em Caracas intensifica a vigilância e a repressão contra cidadãos, elevando o clima de tensão na capital da Venezuela em janeiro de 2026.
A capital venezuelana, Caracas, vive um ambiente tenso com o crescimento da atuação de grupos paramilitares pró-governo, conhecidos como coletivos, que reforçam a vigilância e a repressão nas ruas desde a primeira semana de janeiro de 2026. Esses grupos armados, comandados pelo ministro do Interior, Diosdado Cabello, intensificam o controle social por meio de postos clandestinos onde cidadãos têm seus celulares desbloqueados e veículos revistados, mesmo em vias de grande circulação.
Coletivos e o contexto político na Venezuela
Os coletivos, que surgiram no governo de Hugo Chávez na década de 2000 como organizações de apoio social, evoluíram para forças paralelas com papel repressivo e de vigilância, especialmente em momentos de crise política. Atualmente, eles patrulham as regiões oeste e central de Caracas, áreas estratégicas onde estão localizadas sedes de organizações civis e de direitos humanos. A tensão se agrava após a prisão de ao menos 16 jornalistas durante a posse da nova líder do país, Delcy Rodríguez, e com a decretação de estado de exceção que autoriza ações enérgicas das forças de segurança contra supostas ameaças externas.
Tensão silenciosa e percepção da população
Moradores relatam uma “consciência coletiva” para evitar exposição e adotam cautela nas publicações em redes sociais e no contato com os coletivos. O clima combina uma sensação de normalidade aparente, com a reabertura gradual de comércios, e um medo latente de repressão e violência. Especialistas alertam para o perigo da autonomia operacional dos coletivos, que, apesar de não integrarem formalmente a estrutura estatal, mantêm forte influência em favelas e bairros pobres por meio da distribuição de ajuda social, criando uma relação complexa de poder e controle social.
Impactos e preocupações futuras
O aumento das ações dos coletivos coincide com um cenário de incertezas políticas e sociais, especialmente após o ataque americano recente e a captura do ex-ditador Nicolás Maduro. ONGs de direitos humanos manifestam receio de intensificação das detenções arbitrárias e de episódios de violência descontrolada. A polícia do estado de Mérida divulgou imagens de pessoas detidas sob acusações relacionadas à crise política, refletindo o endurecimento das medidas repressivas.
Serviço e segurança para quem está em Caracas
- Atenção redobrada: Mantenha cautela ao transitar por regiões com presença de coletivos, principalmente nas áreas oeste e central.
- Cuidados digitais: Evite publicações que possam ser interpretadas como críticas ao regime para reduzir riscos de represálias.
- Informação confiável: Procure acompanhar notícias por meios seguros e confiáveis para entender o contexto e evitar boatos.
- Contato com organizações: Caso necessário, busque apoio em ONGs locais de direitos humanos que atuam na proteção da população.
O ambiente político e social em Caracas continua instável, e a atuação dos grupos paramilitares adiciona um elemento de controle social que aumenta a insegurança dos cidadãos no início da temporada de 2026.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reuters





