Instituto destaca diferença de escala: MT exportou 56 mil toneladas no primeiro semestre, enquanto SC embarcou 646 mil toneladas

Instituto Mato-grossenense de Economia Agropecuária avalia que diferença de escala entre estados limita capacidade de substituição após restrições comerciais por Newcastle
O Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) analisou nesta quinta-feira (22) as diferenças entre volumes de exportação de Mato Grosso e Santa Catarina após restrições comerciais motivadas por foco de Newcastle. Apesar de Mato Grosso ter registrado crescimento nas exportações de frango em mais de 24% entre janeiro e setembro, o estado não conseguiria absorver integralmente a demanda internacional redirecionada de Santa Catarina.
De acordo com dados compilados pelo instituto com base em informações da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), durante o primeiro semestre de 2026, Mato Grosso produziu 224 mil toneladas de carne de aves e exportou 56 mil toneladas, equivalente a 25% da produção estadual no período.
Santa Catarina embarcou mais de 646 mil toneladas para o mercado externo. Desse total, 121 mil toneladas tiveram como destino Chile, Hong Kong, China e México, mercados que aplicaram restrições aos produtos avícolas oriundos do estado catarinense.
Segundo Felipe Andrade, que acompanha os setores de leite, aves e suínos no Imea, a diferença de escala ajuda a explicar por que Mato Grosso não conseguiria substituir integralmente os embarques catarinenses. “Hoje, cerca de 25% do que produzimos é enviado ao mercado externo, então não seria viável substituir integralmente os volumes catarinenses no curto prazo”, explica.
O Imea destaca que a produção mato-grossense atende tanto ao mercado interno quanto ao externo. Por isso, manter um volume de produção semelhante ao do primeiro semestre não significa que haverá excedente suficiente para suprir toda a demanda eventualmente redirecionada de Santa Catarina.
Para atender a uma demanda adicional dessa dimensão, seria necessário direcionar uma parcela maior da produção estadual ao mercado internacional. Essa decisão depende também da disponibilidade de produto e das condições operacionais das agroindústrias, conforme avaliação do instituto. A possibilidade de ampliar embarques internacionais permanece vinculada aos fatores estruturais de produção e distribuição do setor avícola mato-grossense.






