Indústria aumenta dependência de bancos tradicionais para crédito

65,3% das empresas que buscaram financiamento de curto e médio prazo recorreram aos grandes bancos entre fevereiro e julho

Indústria aumenta dependência de bancos tradicionais para crédito
Empréstimo bancário para indústria. Foto: Roberto de Lira

Sondagem da CNI mostra que 65,3% das empresas industriais buscaram crédito de curto e médio prazo junto a bancos comerciais entre fevereiro e julho.

A indústria brasileira aumentou sua dependência de bancos comerciais tradicionais para contratar ou renovar créditos de curto e médio prazo em 2026. Segundo dados de uma sondagem especial de acesso ao crédito realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), praticamente dois terços (65,3%) das empresas do setor que buscaram financiamento entre fevereiro e julho recorreram aos “bancões”, comparado com 61% no ano anterior.

No crédito de longo prazo, acima de cinco anos, os bancos comerciais tradicionais também seguem como principal fonte de recursos, apontados na sondagem por 49,5% das empresas do setor que buscaram crédito nessa modalidade. Em 2025, a participação dos bancos comerciais nesse tipo de operação chegou a 51%.

Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, afirmou em nota que recorrer mais aos bancos comerciais tradicionais do que a outras fontes de financiamento não é, por si só, um problema. A dificuldade, segundo ela, é encontrar crédito com custo, volume e prazo adequados para as necessidades das empresas.

“O ideal é que as empresas tenham acesso a diferentes fontes de crédito para financiar suas atividades. Isso permitiria a elas encontrarem, com maior facilidade, fontes de financiamento que atendam às suas necessidades em relação a prazo, custo e montante, permitindo não só o pagamento de despesas correntes, mas a expansão de capacidade produtiva”, disse a analista, sugerindo a necessidade de diversificação das fontes de financiamento.

Segundo a pesquisa da CNI, o capital próprio foi a segunda fonte de financiamento de curto e médio prazo mais citada pelas empresas industriais (23,6%) que buscaram crédito no período, enquanto os bancos de desenvolvimento foram a terceira (18,5%).

No financiamento de longo prazo, a ordem se inverte. Enquanto os bancos de desenvolvimento foram citados por 29,5% dos empresários que buscaram crédito nessa modalidade, o capital próprio foi mencionado por 23,1%.

Para a maioria das empresas industriais que contrataram ou renovaram crédito, o valor aprovado foi similar ao solicitado, conforme a sondagem. No crédito de curto e médio prazo, 62,1% receberam o montante que necessitavam. No crédito de longo prazo, esse percentual foi de 61%.