Inflação ao produtor na China cresce ao maior nível desde 2022

Pressões de custo elevam preços ao produtor em maio, impactando fabricantes e economia interna chinesa

Inflação ao produtor na China cresce ao maior nível desde 2022
Gráfico mostra alta da inflação ao produtor na China em maio. Foto: Tingshu Wang

Inflação ao produtor na China atingiu 3,9% em maio, maior alta desde julho de 2022, pressionada por custos de energia e impactos geopolíticos.

Inflação ao produtor na China atinge pico em maio de 2026

A inflação ao produtor na China em maio de 2026 subiu 3,9% na comparação anual, atingindo o maior nível desde julho de 2022. Esse dado foi divulgado pelo Escritório Nacional de Estatísticas e reflete uma sequência de três meses consecutivos de aumento nos preços ao produtor. Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit, destaca que setores ligados à inteligência artificial têm conseguido repassar o aumento dos custos, ao contrário de indústrias tradicionais, como a automotiva. Esse cenário revela desafios para a retomada da demanda interna na China, que permanece fraca apesar dos esforços governamentais.

Impacto dos preços da energia e tensão geopolítica no Golfo Pérsico

O aumento dos preços ao produtor está diretamente associado ao avanço dos custos da energia. Desde fevereiro, ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, localizados próximos ao Estreito de Ormuz, têm elevado os preços do petróleo e gás. Esse estreito é uma via crucial para o transporte de combustíveis fósseis do Golfo Pérsico, e seu fechamento parcial tem impactado a oferta global. Essas pressões sobre a energia geram aumento dos custos para fabricantes chineses, que enfrentam dificuldades para repassar essas despesas aos consumidores, comprimindo margens de lucro.

Setores beneficiados pela demanda global por inteligência artificial

Apesar das pressões inflacionárias, alguns setores, como os relacionados à inteligência artificial (IA), estão se destacando positivamente. A forte demanda global por poder de computação tem impulsionado os preços desses produtos, permitindo que empresas desse nicho repassem custos superiores e até cobrem sobrepreço. Esse movimento é um contraponto dentro do panorama mais amplo de pressões inflacionárias e dificuldades para o mercado interno, ressaltando a importância da inovação tecnológica para a economia chinesa.

Desafios para o consumo interno e mercado de trabalho

Embora os preços ao consumidor também tenham registrado alta de 1,2% em maio, principalmente devido ao aumento da gasolina e dos serviços, o consumo interno na China ainda apresenta fragilidades. O aumento dos custos impacta diretamente o custo de vida das famílias, enquanto setores tradicionais tentam absorver esses custos. As autoridades enfrentam o desafio de apoiar o mercado de trabalho e estimular a demanda doméstica, que permanece limitada, dificultando a retomada econômica mais robusta.

Indicadores e perspectivas para a inflação na China

O índice de preços ao produtor subiu 0,5% em maio na comparação mensal, desacelerando em relação ao aumento de 1,7% de abril. Além disso, a queda nos preços dos alimentos, com destaque para a redução de 16,1% nos preços da carne suína, contribui para conter a inflação geral. Entretanto, a inflação deixa o ambiente deflacionário recente e indica uma transição para um cenário de inflação baixa, segundo economistas como Lynn Song, da ING para a Grande China. A evolução do quadro inflacionário dependerá do desenrolar das tensões geopolíticas e da resposta do mercado interno às pressões de custos.