Inflação dos combustíveis na aviação afeta custos da produção agrícola

Aumento dos preços do querosene e gasolina de aviação eleva despesas na agroindústria brasileira

Inflação dos combustíveis na aviação afeta custos da produção agrícola
Avião turboélice AirTractor realizando operação agroagrícola no Centro-Oeste. Foto: CASTOR BECKER JR

Inflação dos combustíveis na aviação eleva em média 25% os custos operacionais na produção agrícola brasileira.

Impacto da inflação dos combustíveis na aviação agrícola brasileira

A inflação dos combustíveis na aviação é o principal fator que tem elevado os custos da produção agrícola no Brasil em 2026. Segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), os aumentos de 67,3% na gasolina e 51,6% no querosene de aviação, registrados em abril, impactam diretamente as operações aéreas concentradas no Centro-Oeste e Sudeste, regiões que concentram a maior parte da produção agropecuária nacional. Claudio Junior Oliveira, economista e diretor operacional do Sindag, destaca que essa inflação está muito acima do considerado estável, gerando uma média de 25% de aumento nos custos operacionais com combustíveis.

Detalhes sobre os preços e composição da frota aeroagrícola

A gasolina de aviação, com preço médio atual de R$ 13,99, abastece 51% da frota tripulada na aviação agrícola, enquanto o querosene, a R$ 8,46, supre 30% da frota, especialmente aeronaves turboélice. O etanol, menos volátil, tem aumento médio de 6,9% e representa 19% do combustível utilizado. A elevada dependência desses combustíveis fósseis faz com que as operações aéreas estejam sujeitas a rápidas variações internacionais, como a alta de 58% no preço do óleo de aquecimento e tensões geopolíticas no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o petróleo global.

Consequências para a cadeia produtiva e a balança comercial

O aumento dos custos dos combustíveis na aviação agrícola reflete diretamente no preço final dos alimentos, uma vez que a aviação é essencial para o manejo de grandes áreas agrícolas. O Sindag aponta que entre 14% e 40% dos custos totais da produção agrícola são impactados por esses valores, dependendo da frota e da região. Com aproximadamente 83% da produção concentrada em oito estados que também abrigam 87% da frota aeroagrícola, a volatilidade dos combustíveis pode comprometer a competitividade da agroindústria brasileira e afetar a balança comercial do setor.

Estrutura da aviação agrícola e sua relevância para o agronegócio nacional

O setor aeroagrícola brasileiro mantém a segunda maior frota mundial de aviões e helicópteros agrícolas, com capacidade de atender mais de 100 milhões de hectares. Além dos combustíveis para as aeronaves, o diesel é fundamental para a logística terrestre, envolvendo transporte de insumos e equipamentos até as propriedades rurais. Essa complexa cadeia logística reforça a sensibilidade do agronegócio à variação dos preços dos combustíveis, tornando a inflação um desafio para a sustentabilidade econômica do setor.

Iniciativas em biocombustíveis para mitigar impactos futuros

Recentemente, a Acelen Renováveis firmou parceria com a startup europeia Finboot para desenvolver sistemas de rastreabilidade da macaúba, matéria-prima estratégica para produzir biocombustíveis sustentáveis no Brasil. O projeto visa monitorar até 1,5 mil hectares no Recôncavo Baiano e produzir 1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação (SAF) e diesel renovável (HVO). A macaúba, palmeira nativa com alta produtividade de óleo e capacidade de crescer em áreas degradadas, apresenta-se como alternativa promissora para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis e combater a volatilidade dos preços internacionais. Este avanço destaca a busca por soluções para a crise atual, unindo tecnologia, sustentabilidade e agronegócio.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Fonte: CASTOR BECKER JR