Integração de dados na saúde promete eficiência

Hospitais e farmácias se unirão para compartilhar informações dos pacientes.

Integração de dados na saúde promete eficiência
Rede privada de saúde terá rede de integração de dados de pacientes. Foto: Alex Green /Pexels

Projeto de integração de dados entre hospitais e farmácias visa melhorar a eficiência no atendimento ao paciente.

Um novo paradigma na saúde está se desenhando no Brasil com o lançamento do projeto OpenCare Interop, que promete revolucionar o compartilhamento de dados dos pacientes entre hospitais, farmácias e laboratórios. Com a participação de instituições renomadas como a Beneficência Portuguesa de São Paulo, o Hospital Sírio-Libanês e o laboratório Fleury, essa iniciativa visa não apenas melhorar a eficiência no atendimento, mas também garantir a segurança e a privacidade dos dados dos pacientes.

O que é o OpenCare Interop?

O OpenCare Interop foi anunciado oficialmente no dia 15 de dezembro de 2025, sendo uma colaboração entre o InovaHC e a B3, a bolsa de valores brasileira. O modelo, que deverá entrar em operação em seis a oito meses, é inspirado no conceito de open finance, que permite que instituições financeiras compartilhem dados mediante autorização dos clientes. A ideia é que o mesmo conceito seja aplicado na saúde, facilitando o atendimento e a transferência de informações críticas entre diferentes prestadores de serviços de saúde.

Benefícios da Integração

Entre os principais objetivos do projeto, está a redução de exames desnecessários, que muitas vezes sobrecarregam o sistema de saúde e geram custos adicionais. A integração de dados permitirá que médicos tenham acesso a um histórico mais completo do paciente, o que pode melhorar a tomada de decisões e reduzir erros. Além disso, o sistema visa aprimorar a coordenação de cuidados, essencial para uma abordagem mais integrada e eficiente na saúde digital.

A conselheira do InovaHC, Márcia Ogawa, destaca a importância da transparência, afirmando que os pacientes serão informados sobre quais dados estão sendo compartilhados e para qual finalidade. Isso representa um avanço significativo na relação entre pacientes e prestadores de serviços de saúde, promovendo um verdadeiro empoderamento do paciente.

Impacto econômico e sustentabilidade

Giovanni Guido Cerri, presidente do InovaHC, enfatiza que a interoperabilidade pode gerar uma economia de até 15% em todo o sistema de saúde. Isso se dá pela eliminação de redundâncias e pela possibilidade de um atendimento mais ágil e eficiente. A ideia é que, ao compartilhar dados, um paciente atendido em um pronto-socorro tenha acesso imediato a todos os seus exames e atendimentos anteriores, evitando a repetição de procedimentos desnecessários.

A expectativa é que, no futuro, o compartilhamento de dados se expanda para incluir também o sistema público de saúde, ampliando ainda mais os benefícios dessa integração.

Um passo em direção ao futuro

O projeto-piloto, que não terá custo para os participantes, será conduzido por um ano, com o intuito de demonstrar a viabilidade do modelo. Se bem-sucedido, será possível implementar um sistema de compensação pela disponibilização dos dados, criando um novo modelo de negócios na saúde.

O Hospital Oswaldo Cruz, por exemplo, está comprometido em contribuir com essa transformação, assim como as farmácias, que também têm um papel fundamental na jornada de saúde dos pacientes. João Paulo Oliveira, do grupo Raia Drogasil, ressalta a importância da farmácia na identificação de interações e cuidados necessários no processo de tratamento do paciente.

Essa inovação representa um avanço significativo na forma como os dados de saúde são gerenciados e utilizados no Brasil, prometendo não apenas melhorar a experiência do paciente, mas também otimizar o sistema como um todo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Alex Green /Pexels