Presidente dos EUA intensifica pressão contra o Federal Reserve e seu presidente Jerome Powell, em meio a investigações e disputas pela condução da política monetária

Investigação contra Powell reacende ataques do ex-presidente Trump ao Federal Reserve e sua política de juros nos EUA.
Investigação contra Powell intensifica ataques de Trump ao Fed
A investigação criminal contra Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, foi autorizada em novembro pelo escritório da Procuradoria dos EUA no Distrito de Colúmbia, em meio à ofensiva do ex-presidente Donald Trump contra o banco central americano. A apuração, que apura se Powell mentiu ao Congresso sobre reformas na sede do Fed em Washington, reforça a pressão política sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos.
Trump, defensor de juros mais baixos para estimular a economia, já havia se manifestado contra Powell, qualificando sua atuação como “incompetência grave” e ameaçando processos judiciais. As tensões entre o ex-presidente e o banco central são parte de uma série de ataques que também incluem tentativas de destituir membros do conselho do Fed e nomeações controversas.
Disputa pela independência do Federal Reserve e seu impacto político
Desde sua indicação por Trump em 2017 para presidir o Fed, Powell enfrentou crescente antagonismo do ex-presidente, que defendia políticas monetárias mais agressivas para reduzir juros. A independência do banco central, que tem como mandato promover estabilidade de preços e máximo emprego, tem sido questionada diante das investidas políticas.
Trump tentou demitir membros do conselho e nomear seus aliados para garantir maior controle sobre as decisões de juros, o que geraria impacto direto em mercados financeiros e na economia global. A incerteza sobre a autonomia do Fed pode afetar a confiança dos investidores e a eficácia das políticas econômicas.
Composição do conselho do Fed e a influência de Trump
O conselho do Federal Reserve é composto por sete diretores nomeados para mandatos de 14 anos, com escalonamento para evitar substituições simultâneas. Atualmente, aliados de Trump ocupam três das sete vagas, incluindo membros indicados para cargos importantes no banco central.
Até maio, quando termina o mandato de Powell, a Casa Branca pode tentar ampliar sua influência por meio de novas indicações, incluindo a substituição de membros indicados por administrações anteriores. A batalha política em torno das nomeações revela a importância estratégica do Fed para o governo e o mercado.
Política monetária recente e divergências internas no Fed
Nas últimas reuniões do Fomc, o comitê responsável pela definição das taxas de juros, houve discordância significativa entre os membros sobre a melhor forma de conduzir a política monetária. Powell conseguiu aprovar cortes moderados nos juros, apesar da oposição de parte dos votantes e de presidentes regionais do Fed.
Trump defendia reduções mais drásticas, com juros próximos a 1,5%, para estimular o crescimento econômico e favorecer o mercado acionário. No entanto, a inflação americana permanece acima da meta de 2%, exigindo cautela nas decisões para evitar pressões inflacionárias futuras.
Possíveis consequências da influência política sobre o Fed e a economia global
Especialistas alertam que uma maior interferência política na condução da política monetária pode gerar instabilidade nos mercados financeiros. Cortes agressivos nos juros, para agradar interesses políticos, poderiam desestabilizar o mercado de títulos, elevar expectativas inflacionárias e comprometer a credibilidade do banco central.
Além disso, a ampliação do uso de criptomoedas, defendida pelo ex-presidente, poderia ganhar força com a indicação de aliados ao comando do Fed, alterando o panorama financeiro tradicional nos Estados Unidos.
Candidaturas para a presidência do Fed e as expectativas do mercado
Interlocutores ligados a Trump indicam que Kevin Hassett, principal assessor econômico da Casa Branca, seria o escolhido para presidir o Federal Reserve caso o ex-presidente retorne ao poder. A nomeação gerou apreensão entre investidores, que temem cortes de juros agressivos e políticas que comprometam a estabilidade econômica.
Hassett tem sinalizado apoio a juros mais baixos para tornar financiamentos mais acessíveis, mas o mercado monitora atentamente suas posições para avaliar os impactos potenciais nas decisões futuras do banco central.
Em meio ao cenário de investigações e embates políticos, a trajetória do Federal Reserve nos próximos anos será um dos elementos centrais para a economia americana e mundial.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: SAUL LOEB/AFP





