Investimento de impacto: união entre Faria Lima e comunidades populares

Modelo inovador propõe captação de recursos para transformação social e retorno financeiro

Investimento de impacto: união entre Faria Lima e comunidades populares
Iniciativa promove união de investidores e comunidades. Foto: Eliane Trindade

Modelo de investimento de impacto une a elite financeira e comunidades para promover transformação social.

Na noite de terça-feira (25), um evento promovido por Diego Barreto, CEO do iFood, destacou um modelo inovador de investimento de impacto que promete unir a elite financeira de São Paulo, representada pela região da Faria Lima, com comunidades carentes. A iniciativa, chamada Favela 3D, é uma proposta da ONG Gerando Falcões e busca captar R$ 3,6 milhões com a promessa de retorno de 8% ao ano.

O projeto visa transformar doações em investimentos, criando um novo paradigma no setor social. Barreto explicou que “estamos criando um novo paradigma diante do dilema entre filantropia e investimento com retorno”. A ideia é engajar empresários e investidores em um modelo que promete não apenas retorno financeiro, mas também impacto social positivo.

O modelo de negócio

O modelo de negócios foi estruturado em um curto período de 90 dias, com o auxílio de especialistas do Bank of America e advogados do escritório Mattos Filho. O investimento inicial requerido varia entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, visando um pool de investidores que queiram contribuir para a transformação das comunidades.

Edu Lyra, fundador da Gerando Falcões, destacou que o modelo busca integrar indicadores de desempenho das favelas com os da Faria Lima. “Queremos combinar as KPIs de negócio da favela com as da Faria Lima”, afirmou Lyra, ressaltando a importância de garantir retorno do capital investido.

Impacto social e retorno financeiro

Nos últimos cinco anos, a Gerando Falcões já implementou projetos com recursos filantrópicos, mostrando resultados significativos, como a redução do desemprego em comunidades. Segundo Lyra, os R$ 12 bilhões anuais de capital filantrópico no Brasil não são suficientes para enfrentar a crise de desigualdade. Ele argumenta que as favelas representam uma força de inovação e que a proposta de investimento busca criar um ciclo sustentável de desenvolvimento econômico.

Tatiana Queiroz, investidora de impacto, comentou que a iniciativa é uma forma de trocar juros por impacto social. A proposta não se trata de “blended finance”, mas sim de uma estrutura onde o investidor privado pode ver seu dinheiro gerar transformação nas comunidades.

Como funciona o projeto

O modelo apresentado prevê que os investidores emprestem recursos, que serão distribuídos pela Gerando Falcões em projetos de infraestrutura, educação e geração de renda. As famílias selecionadas se comprometem a devolver o valor investido ao longo de cinco anos, com um pagamento fixo mensal.

A tokenização será uma ferramenta chave nesse processo, permitindo que os investidores acompanhem o progresso dos projetos e façam suas aplicações de forma simplificada. Felipe Whitaker, diretor de Wealth Management da MB Ultra, enfatizou que a tokenização facilitará a jornada do investidor.

Futuro promissor

O evento teve a participação de investidores de peso, e Barreto revelou que já foram captados R$ 1,8 milhão, metade da meta inicial. Se o projeto-piloto se mostrar eficaz, Barreto acredita que poderá ser replicado em outras comunidades, não apenas no Brasil, mas também no exterior. “Se der certo, podemos dizer que encontramos um modelo de negócio social capaz de gerar dignidade em escala”, concluiu.

A proposta de investimento de impacto não só visa proporcionar retorno financeiro, mas também busca reverter o ciclo de pobreza e promover uma transformação social duradoura nas comunidades envolvidas.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Eliane Trindade