Juiz do Paraná é flagrado furtando garrafa de R$ 399

Caso gerou repercussão e processo administrativo.

Juiz federal Eduardo Appio é investigado por furtar garrafa de champanhe em supermercado.

O juiz do Paraná, Eduardo Appio, está no centro de uma polêmica após ser filmado furtando uma garrafa de champanhe em um supermercado de Blumenau, Santa Catarina. O incidente, que ocorreu em um local onde ele foi abordado antes de conseguir sair, ocorreu no dia 4 de outubro de 2025. A garrafa de champanhe, de uma marca renomada, estava à venda por R$ 399, de acordo com a investigação.

O histórico do juiz e os episódios de furto

Eduardo Appio é conhecido por sua atuação na 18ª Vara de Curitiba, onde esteve à frente de casos significativos, incluindo aqueles relacionados à Lava Jato. Este não é o primeiro incidente envolvendo o magistrado; investigações indicam que ele também foi flagrado furtando outras garrafas em setembro e outubro de 2025. O primeiro caso ocorreu no dia 20 de setembro, quando Appio foi visto pegando uma garrafa enquanto carregava sacolas e saindo do mercado sem pagar. Em outro episódio, registrado no dia 4 de outubro, ele foi novamente capturado por câmeras enquanto furtava uma garrafa similar.

Consequências e reações

Após o caso vir à tona, Appio foi suspenso de suas funções e está sendo alvo de um processo administrativo disciplinar instaurado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). O processo busca apurar a conduta do juiz e possíveis sanções. Em resposta às acusações, Appio afirmou que é vítima de “fake news” e de perseguições, mencionando uma suposta difamação por parte do senador Sergio Moro.

Em nota, o senador Moro rebatizou as alegações, afirmando que as acusações de Appio são infundadas e que não há qualquer denúncia que o envolva. A disputa entre eles ganha contornos de uma batalha pessoal, com Appio insinuando que sua atuação em processos contra Moro o tornou alvo de retaliações.

A investigação em andamento

As investigações que culminaram na identificação de Appio como o autor dos furtos começaram após um boletim de ocorrência que relatava o furto de duas garrafas de champanhe. O documento indicava que o suspeito havia saído do local em um veículo registrado em nome do juiz, o que facilitou a ligação entre ele e os crimes. A Polícia Civil de Santa Catarina encaminhou o caso ao TRF, que é o único órgão competente para investigar magistrados de primeira instância.

A situação de Appio se torna ainda mais complicada considerando seu histórico na Lava Jato, onde ele substituiu o ex-juiz Sergio Moro. Em 2024, ele havia sido afastado após uma representação que alegava que ele fez ameaças ao filho de um desembargador. Embora o CNJ tenha arquivado o processo disciplinar referente a esse episódio, o juiz já havia admitido ter tido comportamentos impróprios, embora sem especificar quais.

O caso do juiz Appio levanta questões sobre a ética na magistratura e a responsabilidade dos integrantes do sistema judicial, especialmente aqueles que lidam com casos de grande relevância pública. As repercussões dessa situação ainda estão se desenrolando, e a sociedade aguarda os desdobramentos do processo administrativo que poderá resultar em punições severas.