Presidente brasileiro participa da cúpula em Nova Délhi para debater acesso e soberania digital em IA
Lula participa em Nova Délhi da cúpula global de IA, enfatizando a participação do Sul Global e o combate ao acesso desigual à tecnologia.
Lula participa da cúpula global de governança da inteligência artificial em Nova Délhi
No dia 19 de fevereiro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente em Nova Délhi, Índia, para participar da cúpula global sobre governança da inteligência artificial. O evento, que reúne representantes de 50 países e cerca de 40 mil participantes, conta com a presença de importantes líderes empresariais do setor tecnológico, como Bill Gates (Microsoft), Sundar Pichai (Google) e Sam Altman (OpenAI), além do secretário-geral da ONU, António Guterres. A cúpula marca a primeira vez que um presidente brasileiro comparece a um encontro internacional de alto nível dedicado exclusivamente à inteligência artificial.
A importância simbólica da Índia como sede pela primeira vez do Sul Global
A escolha da Índia para sediar a cúpula representa um marco histórico, pois é a primeira vez que uma nação do Sul Global acolhe esse encontro anual do chamado “processo de Bletchley”, iniciado no Reino Unido em 2023. As edições anteriores passaram pela Coreia do Sul e França, sempre em países do Norte Global. A delegação brasileira destaca a relevância simbólica desse fato para reforçar a voz dos países em desenvolvimento nas discussões globais sobre tecnologias digitais e inteligência artificial.
A defesa do Sul Global e a crítica ao modelo excludente
Durante o evento, Lula defendeu que a governança da inteligência artificial não pode repetir os erros de tecnologias anteriores, como a energia nuclear, cuja difusão foi limitada a um “clube dos responsáveis” formado por países ricos. Ele alertou para os riscos do acesso desigual e defendeu um modelo que garanta soberania digital e participação ampliada dos países do Sul Global. Essa posição ecoa a histórica tese do congelamento do poder mundial, reforçando a agenda brasileira de inclusão tecnológica e cooperação internacional.
Os riscos e desafios associados à inteligência artificial
Além da inclusão, o governo brasileiro também destacou os riscos envolvidos com as novas tecnologias digitais, incluindo o potencial uso da inteligência artificial para disseminação de desinformação. A cúpula também debateu princípios amplos e flexíveis para a governança da IA, buscando evitar modelos rígidos que possam desconectar as necessidades e realidades dos países em desenvolvimento.
Brasil e Japão lideram grupo de trabalho e evento paralelo com foco na IA inclusiva
No âmbito da cúpula, Brasil e Japão copresidem um grupo de trabalho que visa discutir soluções equilibradas para o desenvolvimento da inteligência artificial. O governo brasileiro também organizou o evento paralelo “IA para o Bem de Todos”, que contou com a participação de ministros das pastas de Ciência e Tecnologia, Gestão e Inovação, Educação, Saúde e Comunicações. As ministras Luciana Santos e Esther Dweck lideraram as apresentações, reforçando a perspectiva brasileira de um uso responsável e inclusivo da inteligência artificial.
Agenda bilateral e estratégica do presidente Lula na Ásia
Após a cúpula, Lula manteve agenda bilateral com o primeiro-ministro Narendra Modi e participou de reuniões com outros líderes internacionais, incluindo Emmanuel Macron. A viagem pela Ásia, que inclui ainda compromissos na Coreia do Sul, tem como objetivo ampliar parcerias comerciais, fortalecer laços estratégicos e aumentar a presença do Brasil em fóruns globais de tecnologia e desenvolvimento econômico. A comitiva brasileira é composta por ministros e empresários, evidenciando o interesse em alavancar investimentos e cooperações tecnológicas.
Perspectivas e impacto da participação brasileira na cúpula de IA
A presença do presidente Lula em Nova Délhi eleva o protagonismo do Brasil nas negociações globais sobre inteligência artificial, especialmente no que toca à inclusão do Sul Global. A atuação brasileira busca evitar que o controle e os benefícios da IA fiquem restritos a países desenvolvidos e grandes corporações, promovendo um debate mais justo sobre soberania digital e democratização do acesso tecnológico. Essa estratégia pode influenciar a construção de normas internacionais mais flexíveis e adaptadas às diversidades econômicas e sociais do mundo contemporâneo.





