Crise de liquidez e irregularidades levaram banco Master ao status de "zumbi" desde 2024, revela investigação

A crise de liquidez no Master expôs gestão irregular e ativos fictícios, transformando-o em um banco zumbi muito antes da liquidação oficial.
A crise de liquidez no Master e a liquidação do banco
A crise de liquidez no Master foi o epicentro do colapso financeiro que levou à liquidação oficial do banco em 2025. Documentos fornecidos pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União em dezembro de 2025 detalham que o Master enfrentava uma “profunda e crônica crise de liquidez”, comprometendo sua capacidade de cumprir compromissos financeiros. O banco acumulava também “grave e reiterado descumprimento de normas”, especialmente em relação à manutenção dos níveis obrigatórios de recolhimento compulsório e à gestão dos riscos de crédito e liquidez. Essas falhas estruturais foram agravadas por práticas ilícitas envolvendo operações de cessão de ativos.
Histórico da instabilidade e atuação regulatória
Desde 2024, o banco Master apresentava sinais inequívocos de insolvência operacional. A incapacidade de captar fundos suficientes para cobrir saídas de recursos levou o banco a não conseguir renovar CDBs e a recolher compulsórios de forma insuficiente. O Banco Central identificou que ativos estavam superavaliados ou eram fictícios, enquanto passivos, como os CDBs com juros elevados, permaneciam sem cobertura adequada. A partir de novembro de 2024, a situação se agravou e o Master tornou-se incapaz de ofertar crédito ou de negociar seus ativos, configurando um banco “zumbi”. Em 2025, o Banco Central interveio, solicitando recursos ao Fundo Garantidor de Crédito, que forneceu bilhões para tentar garantir a liquidez.
Impactos das irregularidades e práticas ilícitas no sistema financeiro
A exposição das irregularidades no Master revela fragilidades no controle e regulação do sistema financeiro, evidenciando riscos sistêmicos que podem afetar a estabilidade econômica. A venda de ativos, como a KOVR e participações para o BTG, e a falta de cobertura dos recolhimentos compulsórios demonstram o desespero na gestão do banco para evitar o colapso. Além disso, a presença de ativos fictícios e a prática de ilícitos indicam uma gestão falha e possivelmente fraudulenta, que comprometeu a confiança do mercado e dos clientes.
Reação institucional e questionamentos sobre a intervenção
A intervenção do Banco Central gerou controvérsias, incluindo questionamentos do Tribunal de Contas da União sobre a atuação da autoridade reguladora. Um ministro do TCU chegou a manifestar dúvidas sobre a legalidade e a extensão da intervenção, alimentando discussões sobre os limites do poder regulatório e os interesses envolvidos. Apesar disso, evidências robustas indicam que a liquidação foi consequência inevitável diante da situação financeira insustentável do Master.
Reflexões sobre a crise do Master e prevenção futura
O caso do Master destaca a importância de uma regulação mais rigorosa, transparência e fiscalização eficaz para prevenir crises bancárias. A crise de liquidez no Master e as irregularidades associadas servem como alerta para a necessidade de fortalecer mecanismos de supervisão, garantir a integridade dos ativos e passivos e proteger depositantes e investidores. Além disso, ressalta-se o papel crucial do Fundo Garantidor de Crédito para mitigar impactos imediatos, ainda que não substitua a solidez estrutural dos bancos.
A crise no banco Master demonstra como desequilíbrios financeiros não detectados ou não corrigidos a tempo podem levar a falências que afetam todo o sistema econômico. A compreensão detalhada dessas falhas é fundamental para aprimorar as políticas públicas e evitar novos episódios de instabilidade similar.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Vinicius Torres Freire





