Pesquisa aponta benefícios da prática para a saúde mental e física.
Estudo da USP revela que a meditação pode ser uma aliada no tratamento da dor crônica em mulheres com Disfunção Temporomandibular.
A prática da meditação tem se mostrado uma ferramenta valiosa no tratamento de condições de saúde desafiadoras, como a Disfunção Temporomandibular (DTM). Recentemente, um estudo conduzido pela Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto revelou que essa prática pode oferecer alívio significativo para a dor crônica enfrentada por mulheres diagnosticadas com a condição.
Contexto sobre a Disfunção Temporomandibular
A Disfunção Temporomandibular é uma condição que afeta as articulações que controlam os movimentos da mandíbula, resultando em dor e desconforto que podem impactar a rotina diária. Essa condição é particularmente mais comum entre mulheres, com incidência duas a três vezes maior do que em homens. Os sintomas incluem estalos na mandíbula, dor ao mastigar e até dores de cabeça, que podem interferir diretamente na saúde mental e na qualidade de vida.
A Pesquisa e seus Resultados
Conduzido no Centro de Mindfulness e Terapias Integrativas da USP, o estudo envolveu 53 mulheres entre 18 e 61 anos, divididas em dois grupos: um participou de um programa de mindfulness de oito semanas, enquanto o outro serviu como grupo controle. As participantes do grupo de meditação se engajaram em práticas diárias que variavam de cinco a 30 minutos, incluindo exercícios de respiração e atenção plena.
Os resultados foram promissores. Os exames mostraram uma redução nos marcadores inflamatórios e no estresse oxidativo, além de um aumento em marcadores de neuroplasticidade, que indicam melhorias no funcionamento cerebral relacionado à dor. As participantes relataram uma percepção de dor significativamente reduzida no dia a dia, refletindo não apenas nas medições clínicas, mas também em suas rotinas e bem-estar emocional.
Possíveis Implicações e Conclusões
A meditação, que faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares do SUS desde 2017, não deve substituir os tratamentos tradicionais, mas sim complementá-los. A proposta é que as pacientes tenham autonomia para escolher diferentes métodos que funcionem para elas, promovendo assim um tratamento mais integral e eficaz.
As pesquisadoras afirmam que o estudo não apenas valida a eficácia da meditação no tratamento da DTM, mas também destaca a importância de abordagens que considerem a interconexão entre mente e corpo. Como Maria Fernanda Capeli, uma das participantes, afirmou: “A meditação se tornou parte da minha rotina. Se não inserir na rotina, não funciona”. Essa afirmação reforça a ideia de que a prática deve ser incorporada ao cotidiano para que seus benefícios sejam plenamente aproveitados.





