Ministério da Agricultura registra foco de Doença de Newcastle em perus em Santa Catarina

Confirmação do vírus altamente contagioso em criação comercial de corte levanta risco de embargo nas exportações brasileiras de carne de frango para a China

Ministério da Agricultura registra foco de Doença de Newcastle em perus em Santa Catarina
Criação de aves em Santa Catarina registra foco de Doença de Newcastle. Foto: Reuters

O Ministério da Agricultura confirmou um foco de Doença de Newcastle em uma criação de perus em Santa Catarina, levantando preocupações sobre possível embargo às exportações brasileiras de carne de frango para a China.

O Ministério da Agricultura registrou nesta segunda-feira (19) um foco de Doença de Newcastle em uma criação comercial de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A informação foi divulgada pelo ministro André de Paula, levantando preocupações sobre possíveis interrupções nas exportações brasileiras de carne de frango, principal produto de exportação do país neste segmento.

A China, um dos principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango, impôs embargo ao produto do Rio Grande do Sul em 2024 após a confirmação de um caso de Doença de Newcastle em uma granja comercial no Estado. Essa situação foi revertida apenas no início de 2026. Outros países também baniram provisoriamente o produto brasileiro naquela oportunidade.

Um acordo assinado com a China prevê suspensão automática das exportações de carnes de aves brasileiras em caso de ocorrência de Doença de Newcastle, conforme informou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, à Reuters.

A China aparece como o maior mercado importador de carne de frango do Brasil em 2026. Os chineses responderam por cerca de 10% das vendas totais do Brasil de janeiro a setembro, importando 420 mil toneladas, segundo dados do governo brasileiro.

Autoridades do ministério afirmaram que estão informando parceiros comerciais sobre o caso da doença viral altamente contagiosa para aves, que não causa problemas para a saúde humana. O secretário-substituto de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Rafael Requião, declarou: “Ainda não temos nada objetivo a informar (sobre suspensão de exportações)”.

Requião informou que o Brasil está analisando os protocolos para identificar quais medidas serão tomadas para um eventual “autoembargo” de exportações. Ele acrescentou: “Não queremos antecipar a reação de parceiros, as discussões com a China começam agora”.

O ministério ainda não recebeu qualquer informação sobre suspensão das exportações brasileiras por conta do foco confirmado no estabelecimento de avicultura comercial de corte em Santa Catarina.