Ministério identificou indícios de uso de informação privilegiada em operações financeiras com títulos públicos

Ministério da Previdência aponta irregularidades nas operações do Rioprevidência com Master e pede investigações.
Ministério da Previdência investiga operações do Rioprevidência com Master Corretora
O Ministério da Previdência Social identificou operações financeiras consideradas suspeitas, envolvendo títulos públicos federais realizados pelo Rioprevidência, o fundo previdenciário do Estado do Rio de Janeiro, e administrados pela Master Corretora, que pertence ao grupo de Daniel Vorcaro. Com base em um relatório preliminar de 24 de novembro, a pasta acionou a Polícia Federal, o Banco Central e a CVM para investigar possíveis ilícitos administrativos e penais.
Indícios de uso de informação privilegiada
Os técnicos do ministério levantaram indícios de que houve uso de informação privilegiada durante as transações. O relatório destaca que o Rioprevidência possui uma concentração de R$ 2,9 bilhões em investimentos em instituições associadas à Master Corretora, o que chamou a atenção das autoridades. O corpo técnico da Previdência identificou que o Rioprevidência adquiriu e vendeu R$ 1,95 bilhões em títulos públicos entre dezembro de 2024 e setembro de 2025, um giro que se mostrou inconsistente com a gestão de recursos previdenciários, que deveria se focar em um horizonte de longo prazo.
Resposta do Rioprevidência e Master Corretora
O Rioprevidência, em resposta às alegações do ministério, declarou que as afirmações são “inverídicas” e que buscará responsabilizar os autores da análise. Por sua vez, a Master Corretora, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central, não respondeu aos questionamentos feitos. O ministério também chamou a atenção para a performance adversa do fundo Arena, que teve um retorno acumulado de apenas 2,03% no mesmo período em que o CDI acumulou 12,10%.
Conflitos de interesse e práticas irregulares
Os técnicos do ministério levantaram questões sobre a possibilidade de práticas irregulares, como o “front running”, que é quando alguém utiliza informação privilegiada para lucrar com transações em um curto espaço de tempo. O relatório menciona uma venda de títulos públicos a um preço abaixo do mercado, seguida de uma venda do mesmo volume a um preço superior um minuto depois, evidenciando possíveis práticas desleais.
Consequências e próximos passos
O Ministério da Previdência continua a acompanhar a situação e a investigar as operações entre o Rioprevidência e a Master Corretora. O TCE-RJ também está envolvido na avaliação das decisões do Rioprevidência, que ignorou alertas sobre os riscos associados a esses investimentos. A situação é crítica, especialmente após a prisão de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que ocorreu enquanto tentava deixar o país. O desdobramento dessa investigação poderá trazer à tona novas informações sobre a gestão dos recursos previdenciários no Estado do Rio de Janeiro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação Governo do RJ





